Diabetes e a Rotina

Diabetes mellitus tipo 2  é  uma doença crônica e a progressiva, ou seja , a natureza da própria doença é piorar com o passar do tempo, e envolve fatores genéticos , metabólico, hormonais, e ambientais.

Hoje temos um grande arsenal terapêutico,  medicamentos que atuam em frentes diferentes tentando corrigir os “erros metabólicos ” que causam a doença e impedindo ou tornando mais lenta a sua progressão.

Mas sempre, sem exceções, precisamos que o paciente portador do diabetes também seja ativo no seu tratamento.

O organismo saudável tem mecanismos regulatórios que permitem que a glicemia se mantenha estável mesmo com  muitas mudanças na alimentação, na atividade física, na regularidade do sono, ritmo de trabalho e exposição ao stress emocional.

Porém quem tem diabetes e usa medicamentos orais, injetáveis e/ou  insulina , num esquema pré determinado de doses e horários não tem a mesma maleabilidade metabólica,  passa a ter uma  limitação na capacidade  adaptação do seu organismo.

Exemplificando, longos períodos em jejum poderão causar hipoglicemia,  comer grandes quantidades de carboidratos e principalmente açúcar causarão picos glicêmicos. O aumento da atividade física em intensidade e frequência leva a reduções dos níveis glicêmicos, em contrapartida uma pessoa que faz atividade física regular e interrompe terá aumento do diabetes, situações que são extremamente prejudiciais à saúde,  podendo trazer consequências imediatas ou tardias.

Desde a Pandemia do Covid -19 em 2020 observamos muito claramente o impacto da rotina e estilo de vida sobre várias doenças, no Diabetes foi muito evidente.

O confinamento , aumento do stress emocional , maior acesso aos alimentos por estarmos em casa levou a aumento do peso e do sedentarismo em grande parte da população mundial e brasileira, com consequências à saúde e descontrole do Diabetes.

Devemos estar atentos porque mesmo agora em 2023 quando a situação da Pandemia do Covid 19 está controlada , muitas mudanças se consolidaram, muitas pessoas continuam e continuarão a trabalhar em casa, portanto se movimentam menos, têm horários muitas vezes mais flexíveis ou menos regrados para as refeições, mais acesso a alimentos ao longo do dia além do fato que isolamento social agrava a ansiedade e depressão.

A abordagem do tratamento do diabetes tipo 2 é múltipla e complexa, deve envolver sempre , desde o momento do diagnóstico mudanças no estilo de vida , normalização do peso, atividade física regular e medicamentos que irão melhorar e preservar a função pancreática (produção de insulina ), promover a normalização dos níveis glicêmicos, e proteger os diversos órgãos como coração, rins, olhos, sistema vascular e sistema nervoso das complicações trazidas pelo diabetes.

Por melhores  que sejam os medicamentos e até mesmo a insulina, não obteremos os melhores resultados se não houver disciplina e rotina.

A escolha do esquema medicamentoso deve ser individualizada, avaliada caso a caso e devemos levar em conta:

  1. a gravidade do caso
  2. se há ou não presença de sobrepeso ou obesidade
  3. rotina alimentar, considerando horários, quantidades e tipos de alimentos consumidos
  4. idade do paciente
  5. presença ou não de outras doenças concomitantes
  6. uso de outros medicamentos contínuos
  7. frequência e regularidade na atividade física
  8. sarcopenia 

Portanto  fica claro que sempre que houver uma considerável mudança de rotina se fará necessária também uma mudança no esquema de tratamento, ajustando doses, horários e muitas vezes até o tipo de medicamento.

Fazer exames de rotina a intervalos regulares que podem varias de 3 a 6 meses ajuda muito a detectar precocemente descontroles metabólicos e corrigi-los. Os exames e visitas ao Endocrinologista devem ser mais frequentes nos momentos de descontrole da doença e ajuste de esquema terapêutico e podem ser a intervalos maiores quando está tudo sob controle e estável, mas no mínimo duas a três vezes ao ano o portador de diabetes deve se reavaliado.

Converse com  seu  médico,  procurem estabelecer juntos a melhor forma de administrar sua rotina para que os  resultados sejam  melhores no seu  controle metabólico e com isso melhore sua  qualidade de vida.

Foto de Dra Ana Lúcia Gomes

Dra Ana Lúcia Gomes

Médica Endocrinologista e Metabologista
Atende pacientes diabéticos há mais de 30 anos
CRM-SP: 75.484 e RQE: 36058

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