Diabetes tipo 2

O diabetes mellitus é um problema de saúde pública

O Diabetes atinge 537 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com o Diabetes Atlas. Cerca de 90% desse total é composto por paciente portadores de Diabetes do tipo 2 (DM2).

Segundo as estatísticas de 2021, a população brasileira entre 20 e 79 anos é de 150 milhões de pessoas. Em torno de 10% são portadores de Diabetes, o que perfaz um total de 15 milhões de brasileiros adultos acometidos pela doença. 

O diabetes está relacionado a 214 mil mortes por ano no Brasil. Sabemos que esses números são fortemente influenciados pela falta de acesso da população aos medicamentos. O peso da doença é muito maior em países em desenvolvimento. Até o acesso ao diagnóstico é difícil em nosso país.

O que é o Diabetes tipo 2?

O Diabetes tipo 2 é uma doença crônica e progressiva, caracterizada por um descontrole do metabolismo que causa um excesso de glicose no sangue. Muitos diabéticos tem histórico familiar da doença. Ela aparece com o envelhecimento e depende também de fatores associados como obesidade e sedentarismo. O DM2 também pode acontecer em crianças e jovens, mas é bem mais raro nessas faixas etárias.

Como surge o Diabetes tipo 2?

Vamos entender o que acontece para que se desenvolva a doença. Hoje são conhecidos vários “erros” no metabolismo da glicose que em conjunto levam ao Diabetes tipo 2, vamos abordar de forma simples o que acontece.

A insulina é um hormônio e tem a função de levar a glicose para dentro das células para que produzam a energia necessária ao funcionamento dos tecidos e órgãos.

O pâncreas é o órgão responsável pela secreção da insulina, possui células especializadas para esta função, as células beta.

No Diabetes tipo 2 a secreção de insulina é reduzida, ineficiente, inadequada para o funcionamento normal do metabolismo da glicose, associado a isso há uma resistência dos tecidos ao funcionamento da insulina que foi produzida e liberada na corrente sanguínea para ser distribuída para todo o organismo, além de alterações na secreção de incretinas, desta forma a glicose que circula no sangue não consegue entrar em quantidade suficiente dentro das células e acumula no sangue.

Disto provém todo o quadro do Diabetes tipo 2.

Níveis elevados de glicose no sangue, que por sua vez levam a urinar muito e em consequência ter muita sede, cansaço, fraqueza, fome excessiva e perda de peso porque as células têm pouca energia para o seu funcionamento.

A hiperglicemia (glicose alta no sangue) é tóxica para todo o organismo, inclusive para as células beta (células do pâncreas responsáveis pela produção da insulina), na presença de níveis altos de glicose elas ficam paralisadas e morrem, o que implica numa menor produção de insulina e piora do Diabetes tipo 2.

O mau controle glicêmicos é na verdade o principal fator que determina a rapidez e a gravidade da progressão do Diabetes tipo 2 ao longo do tempo.

 

Complicações do Diabetes tipo 2

Outros órgãos e tecidos também sofrem lesões diretas pelo efeito deletério da hiperglicemia, a médio e longo prazo leva às chamadas complicações crônicas do Diabetes, macro vasculares (alterações da circulação), retinopatia (perda progressiva da visão), nefropatia (diminuição progressiva da filtração do rim) e neuropatia (perda da sensibilidade, dor e formigamento).
É preciso tratar precocemente e com eficiência para manter a glicose em taxas normais no sangue e evitar todo esse quadro.

 

Tratamento do Diabetes tipo 2

Mudanças no estilo de vida

Controle da alimentação

Mudanças na alimentação são o primeiro passo para o controle do DM2. Isso significa que a pessoa com diabetes precisa ter uma alimentação regrada, consumindo moderadamente todos os macronutrientes. Dietas muito restritivas em carboidratos ou jejum intermitente tornam o controle do diabetes mais difícil e podem causar mais problemas do que soluções. O melhor é reduzir as porções dos alimentos e ingerir proteínas animais, carboidratos com baixo índice glicêmico e alimentos ricos em micronutrientes, como frutas, verduras e legumes.

Controle do peso

Sabemos que um dos principais fatores de risco para o DM2 é a obesidade. O excesso de gordura corporal dificulta a ação da insulina e aumenta o que chamamos de resistência periférica à insulina. 

É claro que perder peso não é fácil. Tentar perder peso rapidamente pode diminuir a massa magra (músculos), o que diminui o metabolismo basal. Por isso, a perda de peso gradual, com apoio de nutricionista, favorece a queima de gorduras e melhora o equilíbrio hormonal. Essa é uma tarefa desafiadora para quem está acostumado a comer alimentos ultraprocessados, pois eles geralmente contêm alta quantidade de amido e gorduras. Mas damos todo o suporte necessário para que nossos pacientes atinjam a meta de peso e possam usufruir dos bons momentos no dia a dia.

Atividade física regular

A atividade física regular traz enormes benefícios para a saúde. Ajuda a diminuir o peso, aumenta a capacidade aeróbica e melhora a força muscular. O ideal é fazer uma combinação de exercícios de resistência (musculação) com exercícios cardiovasculares (esteira, bicicleta ou caminhada). Acreditamos que a chave para o sucesso na aquisição do hábito de exercício físico está em encontrar uma atividade que lhe seja agradável e prazerosa. Há diversas opções, como: pilates, natação, hidroginástica, dança, futebol, volei, beach tennis etc. Escolha o seu e reserve o tempo na sua agenda para essa prioridade na sua vida.

 

Tratamento medicamentoso para o Diabetes tipo 2

As mudanças no estilo de vida são importantíssimas , porém o uso de medicamentos desde o diagnóstico é imperativo. Pela natureza progressiva do Diabetes tipo 2 hoje sabemos pelos estudos que fizeram acompanhamento das pessoas que tem diabetes  a longo prazo que o bom controle na fase inicial da doença é importante para a preservação da função pancreática no que se refere à produção de insulina, ou seja o uso de medicamentos desde o início e o bom controle da glicose , evitando picos é o que vai manter as células beta funcionando ao longo do tempo, chamamos a isso de “efeito legado”.

É consenso hoje no mundo todo que desde o diagnóstico da primeira glicemia ou hemoglobina glicada alterada deve-se  iniciar  medicações anti diabéticas.

As medicações via oral que existem hoje atuam de diferentes formas para regular a glicemia, muitas delas aumentando produção de insulina e diminuindo a resistência dos tecidos à ação da insulina e atuando nos complexos mecanismos metabólicos que ficam alterados na doença. Todavia, dependendo do estágio ou gravidade do DM2, os tratamentos por via oral não são suficientes. Quando não existem mais células beta viáveis no pâncreas para serem estimuladas a funcionar, não haverá a produção necessária de insulina. Nestes casos precisamos indicar o uso de insulina diariamente. 

É claro que desejamos prevenir a necessidade do uso de insulina, mas não é o fim do mundo se devemos fazer uso da mesma. Existem várias opções de tratamento com insulina e seus análogos que permitem um ótimo controle do DM2. Além disso, as canetas de injeção facilitam muito a aplicação, mesmo quando a pessoa tem medo de agulhas.

Vida plena é nossa meta!

Quanto mais cedo se faz o diagnóstico e mais eficiente é o tratamento,  maiores as chances de evitar as complicações que pioram muito a qualidade de vida. Mais do que isso, o bom tratamento desde o início pode adiar a necessidade do uso de insulina, o que traz mais liberdade para o paciente.

Procure um Endocrinologista se tem histórico de Diabetes tipo 2 na sua família e faça exames regularmente.

Se você já tem o diagnóstico de DM2, vamos trabalhar juntos para ela seja apenas mais uma parte da sua vida. 

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