Sumário
Neuropatia Diabética
A Neuropatia Diabética está entre as causas mais comum de neuropatia periférica no Brasil.
Das Complicação Crônica do Diabetes é a mais comum e a mais incapacitante, sendo responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas ( por acidentes) em nosso país.
A evolução da Neuropatia Diabética pode ser silenciosa por muitos anos e avançar lentamente, desta forma por suas consequências drásticas a prevenção e o tratamento precoce são a nossa melhor arma.
Complicações Crônicas do Diabetes
Este é a quarta postagem de uma sequência sobre as Complicações Crônicas do Diabetes.
Depois de falarmos sobre o quadro geral e explicar detalhadamente porque e como as Complicações Crônicas acontecem, lesões que o Diabetes causa nos Olhos, e nos rins-Nefropatia Diabética.
Vamos recordar que o organismo humano tem um complexo sistema que funciona adequadamente com glicemias entre 70 e 180mg/dl.
A glicose é distribuída a todos os órgãos e tecidos do corpo através da corrente sanguínea, quando os níveis glicêmicos se elevam acima de 180mg/dl afetam o equilíbrio metabólico e o funcionamento de todo o organismo.
A neuropatia
O Sistema Nervoso Periférico é muito sensível às oscilações metabólicas e as hiperglicemias que afetam diretamente seu funcionamento de forma definitiva.
Inicialmente o paciente não percebe nada, tudo parece normal e muitas vezes o quadro se mantem assintomático durante anos.
Mas quando os sintomas se tornam evidentes e desconfortáveis as lesões já estão estabelecidas e não é mais possível restaurar a função neurológica normal. Porém é possível evitar a Neuropatia Diabética!
Como funciona o Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso é didaticamente dividido em Sistema Nervoso Central, corresponde a cérebro e medula espinal, representado em rosa no esquema ao lado e sistema nervoso periférico, representado em amarelo.
O que é o Sistema Nervoso Periférico?
O Sistema Nervoso Periférico é a parte do sistema nervoso formada por nervos e gânglios.
Sua função primordial é levar informações dos órgãos até o Sistema Nervoso Central e inversamente trazer os comandos do Sistema Nervoso Central aos órgãos.
Desta forma o Sistema Nervoso Periférico é o responsável por conduzir informações que permitem o adequado funcionamento do corpo.
Podemos ainda dividir o Sistema Nervoso Periférico em:
- Sensitivo Motor, os nervos responsáveis pelas sensações da pele, tato, dor, calor, percepção da posição dos membros( propiocepção), movimentação dos músculos estriados.
- Autonômico que funciona independente da vontade, são os nervos que conduzem impulsos do sistema nervoso central até às glândulas, órgãos, músculos lisos e músculo cardíaco.
Regula o funcionamento orgânico e as repostas às necessidades do corpo.
Por exemplo diante de uma hipoglicemia o sistema nervoso autônomico gera várias respostas hormonais como liberação de adrenalina, cortisol, hormônio do crescimento e glucagon para recrutar a glicose armazenada no fígado e músculos para serem lançadas na circulação e normalizarem a glicemia, ao mesmo tempo gera sinais de alerta ao indivíduo como fome, tremor e sudorese.
O que é a Neuropatia Diabética?
Os nervos periféricos são sensíveis tanto às alterações vasculares causadas pelo diabetes quanto por ação direta metabólica da hiperglicemia que reduz a capacidade de eliminar radicais livres e compromete o metabolismo dos neurônios fazendo com que os nervos funcionem mal.
O quadro clínico das neuropatias periféricas possui algumas variações nas suas manifestações clínicas dependendo da presença e a intensidade dos sinais e sintomas. Podem ser sensitivos, autonômicos e motores, dependendo do tipo fibra nervosa acometida.
Os Nervos periféricos são compostos de fibras grossas , finas e mistas que tem funções diferentes e levarão a sintomas clínicos diferentes:
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- fibras grossas irão causar problemas na sensibilidade vibratória, no tato, pressão e na propriocepção

- fibras grossas irão causar problemas na sensibilidade vibratória, no tato, pressão e na propriocepção
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- fibras finas irão comprometer, principalmente, a dor e a temperatura.
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- fibras autonômicas inervam os órgãos e glândulas, seu acometimento causa mal funcionamento das mesmas
Os nervos periféricos mais longos e as fibras finas são as mais sensíveis e por isso geralmente as primeiras a serem acometidas.
O quadro de Neuropatia diabética habitualmente se inicia pelos pés “em bota”, depois acomete as mãos “em luva ” e depois passa a levar a lesões proximais(seus braços, suas coxas, nádegas e quadris) e autonômicas.
Manifestações clínicas:
Neuropatia periférica
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- Dor contínua e constante
- Sensação de queimação e ardência
- Formigamento, pinicação
- Dor espontânea que surge de repente, sem uma causa aparente
- Dor excessiva diante de um estímulo pequeno, por exemplo, uma picada de alfinete
- Dor causada por toques que normalmente não seriam dolorosos, com o toque da roupa, do lençol ou o toque de alguém
- Dormência nos pés e nas mãos
- Cãibras
- Alteração na percepção de calor e frio
- Perda gradual e progressiva do tato
- Pele fina e seca
- Diminuição dos pelos e alterações nas unhas
- Fraqueza muscular
- Redução dos reflexos, do equilíbrio e da coordenação motora
Neuropatia proximal
- Fraqueza na coxa
- Dificuldade para se sentar ou se levantar
- Dor nos quadris e nas nádegas
Neuropatia autonômica
- Incontinência urinária ou dificuldade de urinar
- Diarreia ou prisão de ventre
- Dificuldade de engolir
- Dificuldade de digestão
- Sensação de coração acelerado
- Disfunção erétil
- Secura vaginal
- Diminuição ou ausência de sinais de hipoglicemia
A Neuropatia Diabética traz grande desconforto, perda da qualidade de vida, dificuldades na locomoção e autocuidados.
E aqui quero deixar um alerta muito importante e pouco falado sobre duas consequências muito graves da Neuropatia Diabética:
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- Aumento do risco de amputações/ Pé Diabético: a redução da sensibilidade associada às alterações vasculares e a pele mais fina e seca que se fere com mais facilidade são condições que propiciam ferimentos e úlceras. Muitas vezes pela diminuição da sensibilidade os ferimentos ficam despercebido e podem evolui com necrose, infecção e chegar a necessidade de amputações.
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- Aumento do risco de hipoglicemias graves: os pacientes acometidos de neuropatia autonômica perdem as defesas naturais à hipoglicemia. Não sentem os sinais de alerta como fome, tremores, taquicardia e sudorese que sinalizam que algo não está bem e também perdem a capacidade do organismo de reagir à hipoglicemia com respostas hormonais, liberação de adrenalina, cortisol, hormônio do crescimento e glucagon para recrutar toda a glicose armazenada no fígado e músculos a serem lançadas na circulação. Desta forma a hipoglicemia pode se agravar rapidamente, levar a crises convulsivas, perda de consciência , coma e morte.
Como evitar a Neuropatia Diabética?
O bom controle metabólico e glicêmico desde o momento do diagnóstico do Pré-diabetes ou do Diabetes é a única forma de evitar esta e as demais Complicações Crônicas do Diabetes.
A evolução das lesões dos nervos é lenta e silenciosa por muitos anos, entretanto gradual e contínua.
Quando os sintomas aparecem as leões já estão estabelecidas.
Tratamento da Neuropatia Diabética:
Os tratamentos existentes pouco ou nada são capazes de fazer para a regeneração das fibras nervosa lesadas.
Apenas conseguimos melhorar os sintomas e o desconforto e interromper a progressão das lesões se o diabetes for bem controlado.
Muitas vezes é necessário o tratamento multidisciplinar com Endocrinologista, Neurologista e Fisioterapeuta.
Prevenção
Todas as Complicações Crônicas do Diabetes podem ser evitadas, cuide-se bem!
Procure um especialista em Endocrinologia e Metabologia e siga as orientações. Tome os medicamentos corretamente, vale a pena!
Informe-se e tome as decisões corretas para sua saúde.
É possível para todas as pessoas portadoras de Diabetes manterem-se saudáveis e felizes!!!
