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Entenda os Fenótipos da Obesidade
e sua Importância no Tratamento

Entendermos os Fenótipos da Obesidade e sua importância no Tratamento trouxeram avanços significativos na forma de avaliar e traçar estratégias de tratamento para esta doença.

Antes de tudo devemos reconhecer que o conhecimento sobre os mecanismos causadores da obesidade avançou significativamente nos últimos anos.

Primeiramente ampliamos o entendimento dos mecanismos metabólicos , hormonais e neuronais que levam à desregulação do comportamento alimentar e ao ganho excessivo de peso, isso nos possibilitou o desenvolvimento de novos medicamentos mais eficazes.

Hoje já temos bem estabelecido o conceito de que a Obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Portanto podemos dizer que seu tratamento precisa contemplar os vários aspectos do indivíduo de forma abrangente e contínua.

Nos dias atuais a obesidade é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta mais de 650 milhões de adultos em todo o mundo. No Brasil, essa condição atinge cerca de 22% da população adulta e tem uma prevalência crescente entre crianças e adolescentes.

A Obesidade não pode ser vista como uma questão estética!

Precisamos quebrar paradigmas enraizados na nossa sociedade e entender que Obesidade não é uma questão de padrões de beleza é uma doença e como tal seus impactos vão muito além de questões estéticas.

Acima de tudo devemos ter a clareza de que ser obeso não é uma escolha ou falha de caráter! 

Definitivamente existem fatores genético, hormonais e neuronais que estabelecem padrões de comportamento alimentar e em muitos casos ganho de peso excessivo para a quantidade de calorias ingerida.

A Obesidade é uma doença crônica, está associada a uma série de complicações de saúde como diabetes tipo 2, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, problemas ortopédicos, doenças respiratórias, apneia do sono, ansiedade e depressão.

Desta forma tem grande impacto na qualidade e expectativa de vida e tornou-se uma das principais preocupações de saúde pública do século XXI.

Entender a obesidade como uma condição multifatorial é essencial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas personalizadas e eficazes.

Portanto não podemos ter uma abordagem simplista e indicar como tratamento a todos os casos das pessoas com obesidade o mesmo medicamento e a mesma orientação alimentar.

Dentre os avanços na busca de melhorar a abordagem complexa da Obesidade temos o esforço no entendimento e classificação de Fenótipos da Obesidade que determinariam os mecanismos de desregulação causadores do ganho excessivo de peso, assunto que trataremos neste artigo.

O que são os Fenótipo da Obesidade:

Uma pesquisa feita pela ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) em parceria com a inpessoas comendo exageradamentedústria farmacêutica Merck, realizada pelo instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), mostrou que 7 em cada 10 brasileiros sentem ou já sentiram “fome emocional” ou ” comer  hedônico” (o desejo de comer por recompensa ou para lidar com as emoções).

De todos os entrevistados, 64% concordam que comer é uma forma de lidar com a ansiedade e estresse , 60% relataram que comeram chocolate, pizza ou outras guloseimas quando estavam estressados ou de mal humor, 66% afirmaram ter episódios de desejos repentinos e incontroláveis de comer (conhecida como “craving”) doces ou frituras  como busca de prazer imediato.

Com base em características dos padrões alimentares observados há uma tentativa de estabelecer o que recentemente ficou conhecido como “Fenótipos da Obesidade”.

Saciação e saciedade:

Antes porém de falarmos mais sobre os Fenótipo da Obesidade precisamos esclarecer dois conceitos importantes

para o entendimento dos padrões alimentares de cada fenótipo:

Saciação e saciedade são conceitos relacionados à regulação do apetite, entretanto há algumas diferenças que  importantes:

  • Saciação:

Controla a quantidade de alimento que comemos em uma única refeição. Diretamente influenciada por fatores como o volume e o tipo de nutrientes, a mastigação e o tempo gasto para comer.

Neste momento hormônios gastrointestinais sinalizam ao cérebro que já consumimos alimentos suficientes, e ocorre a diminuição do desejo de continuar comendo.

  • Saciedade:

É o mecanismo que nos mantém sem fome entre as refeições, determinada por fatores como a composição da refeição anterior, o nível de atividade física, e fatores hormonais.

Resumidamente, saciação controla quanto comemos em uma refeição, enquanto saciedade determina quanto tempo permanecemos satisfeitos, sem fome, após terminar uma refeição.

Fenótipo da Obesidade:

Em síntese a classificação dos fenótipos da obesidade tem por objetivo guiar melhores escolhas nas abordagens terapêuticas nutricionais e medicamentosas e individualizar o tratamento com parâmetros objetivos e ponderáveis.

Foram estabelecidos quatro Fenótipos da Obesidade: 

Essa classificação é baseada nas características predominantes que influenciam o comportamento alimentar e o metabolismo de cada indivíduo.

  • Cérebro faminto: está relacionado a problemas na saciação.

O cérebro não sinaliza adequadamente quando o corpo já consumiu calorias suficientes, desta maneira o indivíduo precisa ingerir maior quantidade de alimento até se sentir satisfeito.

  • Intestino faminto: está relacionado a problemas na saciedade.

Neste padrão há dificuldade em manter a saciedade após as refeições. Mesmo após comer o que seria suficiente, a pessoa volta a sentir fome rapidamente. A causa é a sinalização inadequada dos hormônios intestinais.fome emocional

  • Comer emocional: Conhecido também como “comer hedônico” ou “fome emocional”.

A comida é entendida como fonte de prazer ou conforto, mesmo sem fome fisiológica., está diretamente relacionado com as emoções.

Ansiedade, depressão, estresse desencadeiam momentos nos quais o alimento vem como compensação ou conforto. Neste caso há a desregulação do sistema de desejo e recompensa cerebral.

  • Metabolismo lento: São as pessoas constitucionalmente com baixa taxa metabólica ou queima calórica.

São aqueles indivíduos que ganham peso com muita facilidade e têm dificuldade para emagrecer, e manter o peso magro mesmo com uma ingestão calórica controlada.

Considerações:

Enfim,  ao observar esses conceitos vemos claramente que a Obesidade não é uma condição clínica simples e linear.

Com muita frequência temos a associação destes vários padrões dos Fenótipos da Obesidade em uma mesma pessoa, simultaneamente ou ao longo do tempo.

Entretanto a descrição de fenótipos da obesidade é um conceito muito recente que tem sido investigado para compreender melhor as causas subjacentes ao ganho de peso e à dificuldades para emagrecer e manter o peso magro e deverá evoluir rapidamente.

Observarmos que o entendimento desses padrões é uma ferramenta poderosa  para melhorar a estratégia do tratamento da obesidade individualmente. 

Hoje temos a nossa disposição medicações que atuam nos diferentes mecanismos relacionados aos Fenótipos da Obesidade descritos e quando prescritas de forma correta isoladamente ou em associações  trazem resultados muito melhores e mais facilmente mantidos.

Conclusões:

Em minha opinião ainda temos um longo e promissor caminho a percorrer no entendimento da Obesidade e todas as suas faces.

Entretanto sou muito otimista porque vejo finalmente um novo horizonte na abordagem dessa doença tão estigmatizada na nosso história.

Finalmente a ciência começa a enxergar que Obesidade não é uma questão de escolha ou de fraqueza, mas que tem muitos mecanismos fisiopatológicos envolvidos.

Somente ao vencer os pré-conceitos temos a possibilidade de iluminar este  novo caminho.

Também não posso deixar de alertar sobre o perigo de normalizar a Obesidade. 

Não se trata de um padrão estético que deve ou não ser aceito, mas antes de mais nada uma doença que precisa ser reconhecida e cuidada.

Não estou dizendo aqui que todos devem ser magros e atléticos com padrões de beleza inatingíveis propagados nas redes sociais. Não!

Mas devemos ter como meta de peso ideal aquele peso que nos possibilite ter saúde física e emocional!

Vamos caminhar juntos, alinhar expectativas e tomar decisões sustentáveis para sua saúde!

 

contatos Dra Ana Lúcia Gomes