Diabetes mellitus é uma doença crônica que se caracteriza por elevação anormal dos níveis de glicose no sangue.
Em condições normais do metabolismo, as células beta pancreáticas produzem insulina , hormônio que tem por principal função levar a glicose que está no sangue para dentro das células .
Com a ação da insulina o açúcar no sangue se mantém em níveis normais, em torno de 70 a 180mcg/dl e toda as células recebem a glicose necessária à produção da energia que as matem vivas e ativas, permitindo o perfeito funcionamento de todos os órgão e tecidos do corpo.
Atualmente mais de 400 milhões de pessoas tem diabetes no mundo, segundo a OMS (Organização mundial de Saúde) e ao IDF (Federação internacional de Diabetes).
No Brasil, estima-se que hajam 16 milhões de pessoas com Diabetes, segundo o Ministério da Saúde.
Geralmente o aumento da glicose é lento e gradual. Caracterizado por resistência à insulina e deficiência parcial de secreção de insulina pelas células beta pancreáticas, além de alterações na secreção de incretinas.
Tem início abrupto em geral, mais comum em crianças e adolescentes. Dados recentes indicam que atualmente há aumento de casos novos de DM 1 diagnosticados na vida adulta
Desenvolve-se na gestação, está relacionado com hormônios placentários e pode desaparecer após o parto.
Entretanto sabemos que mulheres que tiveram diabetes gestacional tem maior propensão a desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente.
Existem também outros tipos de diabetes muito menos frequentes, na verdade bastante raros que não serão abordados neste artigo.
Embora todos os tipos de diabetes resultem no aumento da glicose do sangue eles tem causas e fisiopatologias diferentes.
Desta forma é muito importante identificar a classificação ou tipo do Diabetes porque o tratamento, os riscos e as estratégias de abordagem e acompanhamento serão diferentes para cada um deles.
Neste artigo especificamente falaremos sobre as diferenças entre o Diabetes tipo 2 e o tipo 1.
Essa é uma dúvida bastante frequente, embora nos em ambos ocorra o aumento anormal da glicose no sangue o que pode trazer consequências muito semelhantes à saúde , as causas e os tratamentos são bastante diferentes.
Por esse motivo é importante diferenciar o diabetes tipo 2 e o diabetes tipo 1.
A seguir buscaremos trazer de forma clara e simples o entendimento sobre a importância desta doença e qual a melhor forma de cuidar para que ela não traga consequências mais graves à saúde .
Diabetes tipo 1:
Diabetes tio 2:
Diabetes tipo 1:
Diabetes tipo 2:
Os sintomas do podem variar muito de acordo com os níveis de glicose e tempo de doença.
Na verdade o Diabetes tipo 2 pode manter-se assintomático por muito tempo, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento precoce fundamental para evitar as complicações crônicas.
Entretanto citamos aqui alguns sintomas comuns:
Diabetes tipo 1:
Quadro em geral de início abrupto e grave, grande mal estar, falta de energia, perda de peso rápida, desidratação e com frequência evolui com cetoacidose metabólica, que se apresenta como náuseas, vômito, alteração de consciência .
O diagnóstico de Diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2 deve ser sempre feito identificação de hiperglicemia (aumento da glicose no sangue) , nunca apenas por sintomas , porque podem ser confundidos com outras doenças.
Para este fim podemos usar a glicemia de jejum, o teste de tolerância oral à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada (A1c).
Os critérios que confirmam o diagnóstico estão na tabela 1:
Tabela 1. Critérios laboratoriais para diagnóstico de Diabetes tipo 2 e pré-diabetes.

Fonte: site da SBD https://diretriz.diabetes.org.br/diagnostico-e-rastreamento-do-diabetes-tipo-2/
No Diabetes tipo 1 além dos níveis de glicose e hemoglobina glicada (A1c) também é possível a dosagem do Peptídeo -c que identifica que a produção de insulina está baixa ou ausente e dos auto anticorpos como anti-GAD e anti insulina.
Uma vez confirmado o diagnóstico:
Diabetes mellitus tipo 2:
O tratamento deve ser iniciado de imediato e inclui sempre medidas de melhora de alimentação , estilo de vida e medicamentos.
Sim, os medicamentos devem ser iniciados desde o primeiro momento do diagnóstico.
Embora isso gere sempre muito questionamento dos pacientes, entre os especialistas e estudiosos desta doença é consenso no mundo todo que é necessário que assim se faça.
As mudanças de hábitos e dieta adequada são importantíssimas, também devem ser tomadas de imediato, porém é muito importante que se reforce que elas não são suficientes.
O uso dos medicamentos irá melhorar a produção da insulina, diminuir a resistência à ação da insulina , proteger as células beta para que elas não percam ainda mais a sua capacidade em produzir a insulina , além de protegerem outros órgão como rins, fígado e coração das consequências do diabetes.
Existem várias classes de medicamentos , que atuam de formas diferentes e que o especialista saberá como manejar para alcançar o melhor controle para cada caso.
Embora com todos os recursos de medicamentos orais que possuímos hoje em alguns casos pode ser necessário o uso de medicamentos injetáveis como os análogos de GLP1 ou as insulinas.
A meta do tratamento é manter a glicemia o mais próximo possível dos níveis normais , entre 70-180mg/dl e a Hb glicada A1c entre 6 e 7%. Entretanto essas metas podem ser menos rígidas de acordo com cada paciente, sua idade, estilo de vida e condições de saúde subjacentes.
Diabetes tipo1:
Sempre requer uso de Insulina desde o início do quadro.
Com muita frequência, dependendo da gravidade do quadro inicial, pode ser necessária internação, em UTI inclusive, para rápida correção da hiperglicemia e das alterações metabólicas causadas por ela.
Uma vez estabilizado o quadro inicial o paciente que tem Diabetes tipo 1 deve ser acompanhado por um especialista que irá recomendar o melhor esquema terapêutico.
Atualmente existem vários tipos de insulina e esquemas terapêuticos possíveis que deverão ser indicados pelo endocrinologista de acordo com idade do paciente e seu estilo de vida , mas sempre buscando manter o controle da glicose o mais próximo possível do normal.
A grande preocupação que temos diante do diagnóstico de Diabetes de qualquer tipo são as consequências da da hiperglicemia sobre os órgãos e sistemas do nosso corpo. Muitas vezes levando a consequências graves e irreversíveis.
Chamamos de Complicações Crônicas do Diabetes as lesões causadas em órgãos como:
Estilo de vida saudável, atividade física regular, prefira alimento frescos, evite alimentos industrializados, evite consumo excessivo de açúcar e gorduras, mantenha peso saudável.
Recentemente o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o medicamento Teplizumabe que parece abrir uma possibilidade promissora na prevenção do Diabetes tipo1.
Até o momento tanto o Diabetes mellitus tipo 2 como o tipo 1 são considerados uma doenças incuráveis, ou seja, não temos um tratamento que leve ao desaparecimento da doença.
Entretanto temos tratamentos cada vez melhores que mudam a história da doença.
Diabetes tipo 2:
Com o tratamento precoce e correto evitamos a progressão da perda da capacidade das células beta pancreáticas produzirem insulina, melhoramos a resistência insulínica e o equilíbrio das incretinas e o mais importante, evitamos as lesões das complicações crônicas.
Diabetes tipo 1:
Existem muitos estudos promissores que vão desde evitar o processo autoimune que irá destruir as células beta até transplantes de células produtoras de insulina, através de doadores ou de células tronco.
É possível ter diabetes e ter uma longa vida saudável e produtiva!
Cuide-se, procure um especialista, tome os medicamentos.
Invista no seu futuro, sua saúde é seu maior bem!