Sumário

10 Perguntas Sobre Insulina

O uso da Insulina é cercado de muitos mitos e causa receio para algumas pessoas que têm Diabetes.

A Insulina passou a ser usada no tratamento para Diabetes  há pouco mais de 100 anos e foi um avanço memorável para a humanidade.

A primeira criança com diabetes tratada com insulina data de 1922, até aquele momento o Diabetes era uma doença fatal especialmente para as crianças e adolescentes que apresentavam o Diabetes tipo 1. 

Na foto ao lado vemos uma criança com Diabetes tipo 1 antes e depois do uso de Insulina.

Em 1923 Nordisk Insulinlaboratorium começou a produzir e comercializar insulina depois que a técnica de extração e purificação foi levada do Canadá para a Dinamarca por August e Marie Krogh.

De acordo com a SBD ( Sociedade Brasileira de Diabetes), o Brasil tem 16,8 milhões de pessoas com diabetes, entre as quais cerca de 560 mil têm diagnóstico de diabetes tipo 1 e necessitam de insulinas diariamente para sobreviverem.

Um estudo publicado no periódico científico Lancet Diabetes and Endocrinology, em 2016, afirmou que aproximadamente 80 milhões de pessoas com diabetes, ao redor do mundo, precisarão de insulina até 2030.

Este post é o quinto de uma série intitulada ” 10 Perguntas Sobre”. 

No formato de perguntas e repostas vamos esclarecer algumas dúvidas frequentes sobre a Insulina.

1-O que é insulina?

Insulina é um hormônio produzido pelo Pâncreas, especificamente pelas “células beta” , localizadas em pequenos agrupamentos celulares que chamamos de Ilhotas de Langerhans.

A Insulina tem importante papel na regulação do metabolismo humano.

Quando nos alimentamos os níveis de glicose no sangue aumentam, isto sinaliza ao pâncreas a necessidade de liberar mais insulina na corrente sanguínea.

Por sua vez, a Insulina é responsável pela entrada da glicose nas células do corpo para que seja usada como fonte de  energia ou armazenada na forma de glicogênio no fígado e nos músculos.

Desta forma a Insulina é fundamental para manter a glicose sanguínea dentro da faixa normal, entre 70 e 180mg/dl, e permitir que a glicose seja utilizada na produção de energia necessária para manter nossas células vivas e ativas.

2- O que acontece quando a produção da Insulina não está normal?

A redução dos níveis de insulina causa a doença que chamamos de Diabetes.

Quanto mais grave a deficiência deste hormônio tão importante, maior será a gravidade da doença, tanto que se não for adequadamente tratada poderá levar a graves complicações e morte.

  • Diabetes Tipo 1:

Por um erro, de causas ainda desconhecidas, o Sistema Imunológico passa a atacar e destruir maciçamente as Células Beta pancreáticas, com isso o pâncreas perde a capacidade de produzir Insulina.

Portanto as pessoas com Diabetes tipo 1, precisam sempre de insulina exógena (injeções ou bombas de insulina) para sobreviver e controlar os níveis de glicose no sangue.

  • Diabetes Tipo 2:

O Diabetes tipo 2 ocorre por vários erros metabólicos que levam ao aumento da glicose sanguínea, dentre eles a diminuição da capacidade do pâncreas em produzir insulina adequadamente.

Em geral o Diabetes tipo 2 pode ser bem controlado com dieta e medicamentos via oral ou injetáveis, sem a necessidade de insulina.

Entretanto, algumas pessoas com quadros mais severos de Diabetes tipo 2 podem precisar de injeções de insulina.

Essa necessidade pode ser ocasional e temporária como em casos de descompensações agudas por erro alimentar ou quadros infecciosos por exemplo, ou diária e permanente dependendo da progressão e gravidade do Diabetes tipo 2 ou outras condições concomitantes como, por exemplo, insuficiência renal crônica em estágios avançados.

  • Diabetes Gestacional:

O diabetes que se manifesta durante a gravidez, conhecido como Diabetes Gestacional, pode necessitar do uso de Insulina nos casos em que apenas dieta e o exercício não forem suficientes para controlar os níveis de glicose no sangue.

Nesses casos a Insulina é a medicação mais segura para a mãe e o bebê.

Em geral após o parto o diabetes desaparece ou poderá ser controlado com medicamentos orais.

3- Quais os tipos de insulina que existem?

Existem hoje vários tipos de insulina disponíveis e nós as dividimos em grupos com diferentes características de ação.

A escolha do tipo de insulina a ser usada deve sempre ser individualizada e prescrita pelo médico especialista dependendo das necessidades específicas de cada paciente.

 

  • Insulinas de Ação Rápida:

Exemplos:

Insulina lispro (Humalog®), insulina asparte (NovoRapid ®e Fiasp®), insulina glulisina (Apidra®).

Geralmente são administradas antes das refeições para controlar o aumento rápido da glicose no sangue após a alimentação, em doses fixas ou utilizando-se a técnica de Contagem de Carboidratos, e ainda na necessidade de correções quando os níveis de glicose ficam anormalmente altos. 

  • Insulina de Ação Curta:

Exemplos:

Insulina regular (Humulin R®, Novolin R®).

Também usada antes das refeições e para correções , mas como tem início de ação um pouco mais lento e maior duração em comparação com a insulina de ação rápida, são menos eficazes e podem causar hipoglicemias com mais frequência.

  • Insulina de Ação Intermediária:

Exemplos:

Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®).

Geralmente administrada duas a quatro vezes ao dia para fornecer controle de glicose ao longo do dia e da noite.

Sua ação é irregular apresentando picos e vales que podem causar oscilações indesejáveis no controle glicêmico. 

  • Insulina de Ação Longa:

Exemplos:

Insulina Glargina (Lantus®, Basaglar®), Insulina Detemir (Levemir®)

Em geral administrada uma vez ao dia, tem ação mais estável ao longo do dia o que propicia melhor controle glicêmico.

Por ter duração em torno de 24h deve ser aplicada sempre no mesmo horário.

  • Insulina de Ação Ultra-Longa:

Exemplos:

Insulina Degludeca (Tresiba®), Insulina Glargina U-300 (Toujeo®).

Administrada 1 vez ao dia , são as mais estáveis até o momento e por sua duração de ação ser maior que 24h tem a vantagem de maior flexibilidade no horário de aplicação.

Mas, vale frisar, que mesmo com a duração tão longa precisa ser administrada todos os dias.

  • Insulinas com Pré-Misturas:

Exemplos:

 Humalog Mix 75/25®, NovoLog Mix 70/30®.

Combina insulina de ação rápida ou curta com insulina de ação intermediária em proporções fixas.

Tem pouco uso na prática do especialista em diabetes porque não permite a ajuste fino do controle glicêmico.

  • Insulina semanal:

A insulina Icodeca da Novo Nordisk  está prevista para chegar ao mercado brasileiro por volta de 2025, após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Essa nova insulina mostrou-se tão eficaz quanto as insulinas de uso diário e significa a diferença entre 365 aplicações ao ano para 52 aplicações ao ano!

 

4-Qual a melhor Insulina de ação rápida?

Hoje temos excelentes insulinas de ação rápida que permitem melhora do controle glicêmico utilizando-se a técnica de contagem de carboidratos às refeições e rápidas correções dos picos glicêmicos indesejáveis. 

A escolha da melhor insulina para cada paciente deve ser feita pelo especialista , bem como a dose e forma de utilização.

A Insulina de ação rápida é também a utilizada nas Bombas de Infusão Contínua de Insulina.

 

  • Insulina Lispro (Humalog®):

  • Início de Ação: Cerca de 15 minutos.
  • Pico de Ação: 30 a 90 minutos.
  • Duração de Ação: 3 a 5 horas.
  • Uso Comum: Frequentemente usada antes das refeições para controlar os picos de glicose pós-prandiais.
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Insulina Aspart (NovoRapid®, Fiasp®):

  • Início de Ação: Cerca de 10 a 20 minutos.
  • Pico de Ação: 40 a 50 minutos.
  • Duração de Ação: 3 a 5 horas.
  • Uso Comum: Usada antes das refeições; Fiasp é uma versão mais rápida, começando a agir em 5 minutos. 

Insulina Glulisina (Apidra®):

  • Início de Ação: Cerca de 10 a 15 minutos.
  • Pico de Ação: 30 a 90 minutos.
  • Duração de Ação: 3 a 4 horas.

  •  

5- Quais os locais de aplicação de Insulina?

Os melhores locais de aplicação de insulina variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem áreas do corpo onde a absorção de insulina é mais previsível e a aplicação é mais confortável. Aqui estão alguns dos locais mais comuns recomendados para aplicação de insulina:

  • Abdômen: É o local mais comum e recomendado para aplicação de insulina. A absorção de insulina é mais consistente nesta área devido à boa vascularização e à absorção previsível da gordura subcutânea.
  • Coxas: A parte frontal das coxas é outra área adequada.
  • Braços: A parte externa dos braços, abaixo do ombro até o cotovelo, pode ser utilizada para aplicação de insulina.
  • Nádegas: A região externa das nádegas também pode ser usada, embora seja menos comum devido à dificuldade de autoadministração. 

É recomendável alternar os locais de aplicação para evitar lipodistrofia (alterações na distribuição de gordura subcutânea devido a injeções repetidas no mesmo local) e garantir uma absorção adequada da insulina.

Além disso, é importante seguir as orientações do médico ou profissional de saúde para determinar os melhores locais de aplicação com base na anatomia individual e nas necessidades específicas de tratamento.

6- Por que a caneta de aplicação de insulina é melhor que seringa?

A caneta de aplicação de insulina é frequentemente considerada melhor que a seringa por várias razões:

Facilidade de uso:

As canetas de insulina são mais fáceis de manusear, especialmente para pessoas com destreza limitada ou visão comprometida. 

Geralmente as canetas possuem mecanismos simples de discagem para selecionar a dose necessária e visores com números de 1 em 1 unidade mais visíveis que nas seringas.

Conveniência:

Algumas canetas de insulina são pré-carregadas com insulina e descartáveis após o uso, outras possuem refis de 300 unidades, o que elimina a necessidade de preparar doses manualmente em todas as aplicações como nas seringas tradicionais.

Precisão na dosagem:

As canetas de insulina permitem dosagens mais precisas, geralmente em incrementos de 1 unidade, facilmente visualizados.

É importante salientar que a precisão na dose da insulina é fundamental para o controle adequado da glicemia.

Portabilidade:

São mais compactas e fáceis de transportar do que carregar várias seringas e frascos de insulina.

Podem ser mantidas sob refrigeração (2ºC e 8ºC) ou em temperatura ambiente (até 30ºC) por até 30 dias protegido do calor excessivo e da luz.

Menor risco de contaminação:

Como as canetas são descartáveis e pré-carregadas, há menos risco de contaminação cruzada ou infecção por reutilização inadequada de seringas e punções repetidas no frasco da insulina.

Considerações:

A escolha entre canetas de insulina e seringas pode depender das preferências individuais, da disponibilidade de produtos no mercado local e das orientações médicas específicas para cada paciente.

Alguns podem preferir seringas devido a custos mais baixos ou outros fatores pessoais.

7-Qual a melhor agulha?

Para aplicação de insulina, as agulhas geralmente são classificadas pelo seu comprimento e calibre. Os tamanhos mais comuns recomendados são:

Comprimento:

As agulhas mais utilizadas variam de 4 mm a 8 mm de comprimento.

Agulhas mais curtas (4 mm) são mais frequentemente recomendadas,  são menos dolorosas e podem ser igualmente eficazes para a maioria das pessoas, independentemente do peso corporal ou do IMC (índice de massa corporal)

Calibre (ou diâmetro):

O calibre das agulhas varia de 28G a 32G (sendo 28G mais grosso e 32G mais fino).

Agulhas mais finas (com maior número de G, como 31G ou 32G) podem causar menos dor e traumatismo durante a aplicação.

Em resumo, agulhas mais curtas e finas são geralmente recomendadas para minimizar o desconforto e o risco de lesões durante a aplicação de insulina.

No entanto, a escolha ideal pode variar dependendo das preferências individuais e das orientações do médico ou profissional de saúde a cada caso.

Entretanto, deve-se considerar que a técnica de aplicação como ângulo de introdução da agulha na pele e a necessidade ou não de se fazer prega cutânea muda com a escolha do tamanho da agulha.

 

8- O que é insulina inalatória?

A insulina inalatória é uma forma de insulina administrada por aspiração através boca e absorvida nos pulmões.

Essa forma de insulina foi desenvolvida para proporcionar uma maneira mais conveniente de administração, porém devemos considerar algumas limitações.

No Brasil temos a Afrezza® disponível em refis de uso único preenchidos de 4 unidades, 8 unidades e 12 unidades, composta por pó seco de insulina humana de ação rápida.

A Insulina Inalatória tem como limitações as poucas opções de doses possíveis e a irregularidade na sua absorção, dependendo da saúde das vias aéreas.

Não está indicada principalmente em pessoas com doenças pulmonares, como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

9- Existe insulina via oral?

Atualmente, não existe Insulina disponível no mercado que possa ser administrada via oral.

Existem pesquisas em andamento para desenvolver essa forma de administração.

A grande limitação é que a insulina é uma proteína que, quando ingerida, é rapidamente degradada pelas enzimas digestivas no estômago, isso impede sua absorção intacta e eficaz.

Vencida a dificuldade anterior temos outra barreira. A insulina precisa ser absorvida no intestino para entrar na corrente sanguínea, entretanto é uma proteína com tamanho e estrutura que não permitem essa absorção.

Algumas tecnologias vem sendo desenvolvidas para vencer essas dificuldades como:

Encapsulamento:

Uso de cápsulas que protegem a insulina das enzimas digestivas e permitem sua liberação controlada no intestino.

Revestimentos Especiais:

Desenvolvimento de revestimentos resistentes ao ácido do estômago que se dissolvem no ambiente mais neutro do intestino.

Transportadores Moleculares:

Uso de moléculas que podem ajudar a insulina a atravessar a barreira intestinal para que possa ser absorvida e cair na corrente sanguínea.

10- O que é Bomba de Infusão Contínua de Insulina (BI) ?

A Bomba de Infusão Contínua de Insulina (BI) é um dispositivo médico eletrônico que administra Insulina de ação Rápida de forma contínua para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue em pessoas com diabetes.

É indicada especialmente pessoas com diabetes tipo 1, mas pode também ser utilizadas por pacientes com Diabetes tipo 2 que necessitam do uso contínuo de insulina.

A Bomba fica conectada ao corpo através de um cateter, ligado a um reservatório com insulina, e uma cânula flexível inserida no tecido subcutâneo.

A orientação é que todo o conjunto de infusão seja trocado a cada 48 a 72 horas, para evitar inflamação ou infecção no local onde está inserido na pele.

Os locais que podem ser utilizados para aplicação são os mesmos da injeção: abdome, braços, coxas, flancos e glúteos, entretanto o reservatório de insulina pode ser um limitador da escolha do local porque deve ser fixado na roupa.

A insulina usada na BI é sempre a insulina análoga de ação rápida,  infusão é feita em micro doses com objetivo de imitar o funcionamento do pâncreas normal.

A insulina basal é a quantidade de insulina administrada durante às 24 horas e a insulina bolus é a quantidade de insulina administrada para correção da glicemia (hiperglicemia) e para as refeições, utilizando a técnica de contagem de carboidratos. Isso aumenta a flexibilidade no estilo de vida e melhora do controle glicêmico.

As BI mais modernas podem ser usadas em conjunto com monitores contínuos de glicose (CGM), que fornecem leituras constantes dos níveis de glicose no sangue e ajudam a ajustar a administração de insulina em tempo real.

Possuem calculadoras inteligentes que são configuradas individualmente com parâmetros adequados para cada pessoa, prescritos pelo médico especialista.

Desta forma esse sistema permite precisão e ajuste dinâmico, propicia melhor controle glicêmico e menor risco de hipoglicemia.

O uso da BI também tem a conveniência de reduzir a necessidade de múltiplas injeções diárias e facilita a administração de insulina.

Desvantagens e Considerações

Custo:

Pode ser mais cara em comparação com as injeções tradicionais de insulina.

Manutenção:

Requer monitoramento e manutenção constantes, incluindo a troca do reservatório de insulina e do cateter regularmente.

Aprendizado:

Pode exigir um período de adaptação e aprendizado para usar o dispositivo corretamente.

Indicações de Uso

A bomba de insulina é indicada para pessoas com diabetes que têm dificuldade em controlar seus níveis de glicose com múltiplas injeções diárias de insulina ou que desejam maior flexibilidade e precisão no controle do diabetes.

A decisão de usar uma bomba de insulina deve ser tomada pelo paciente em conjunto com  o médico especialista, considerando sempre as necessidades e condições individuais de cada pessoa.

 

Considerações Finais

Até o momento não temos cura para o Diabetes, muitos estudos estão em andamento no mundo todo buscando a solução definitiva para esta doença tão comum.

Entretanto é preciso olhar para o que temos de efetivo hoje.

Os avanços que tivemos no tratamento do Diabetes permitem que as pessoas que tem a doença tenham uma vida saudável e normal.

O uso da Insulina mudou a história de muitas pessoas e muitas famílias.

Há 100 anos pessoas com Diabetes estavam condenadas a graves complicações e expectativa de vida muito limitada.

Como especialista em Diabetes vejo todos os dias a Insulina devolvendo a vida a muitas pessoas.

Não devemos temer o tratamento, mas sim os males que o tratamento inadequado pode trazer.

Procure um especialista, cuide do seu Diabetes sem preconceitos, com conhecimento de ponta e qualidade.

Se você quiser, terei muito prazer em caminhar com você nessa jornada por saúde e qualidade de vida.

Contato: 11 94733 9248

contatos Dra Ana Lúcia Gomes