Apresentado durante a ObesityWeek 2025, o estudo confirma que o wegovy (semaglutida) oral de 25 mg oferece benefícios semelhantes à aplicação subcutânea.
Por Caio Batelli
18 nov 2025

Um novo levantamento divulgado pela Novo Nordisk indica que a semaglutida em comprimido, utilizada no medicamento Wegovy, alcança resultados de perda de peso e melhora metabólica comparáveis aos da formulação injetável. As conclusões foram apresentadas durante o congresso ObesityWeek 2025, realizado em Atlanta (EUA).
A comparação foi feita a partir de dois ensaios clínicos de fase 3: o OASIS 4, que avaliou a versão oral (25 mg), e o STEP 1, focado na aplicação injetável (2,4 mg). No total, 307 adultos com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso associado a comorbidades participaram do OASIS 4.
De acordo com a análise, os percentuais de redução de 5%, 10%, 15% e 20% do peso corporal foram equivalentes entre as duas formas do medicamento. Também foram observadas melhorias expressivas em indicadores metabólicos e inflamatórios, como glicemia, hemoglobina glicada, triglicerídeos e proteína C reativa.
Resultados clínicos e impacto metabólico
No estudo OASIS 4, a semaglutida oral promoveu benefícios significativos no metabolismo e no risco cardiovascular. Entre os voluntários com pré-diabetes, 71,1% atingiram níveis normais de glicose, frente a 33,3% no grupo placebo.
As análises também mostraram que os efeitos positivos foram mais intensos entre os participantes que perderam mais de 15% do peso corporal, evidenciando a relação direta entre perda ponderal e melhora metabólica.
A eficácia foi consistente em diferentes fases hormonais femininas. Mulheres em pré-menopausa registraram redução média de 18,2% do peso, enquanto aquelas em perimenopausa e pós-menopausa perderam 15% e 15,7%, respectivamente.
Além disso, o tratamento esteve associado à melhora da capacidade funcional. Entre os participantes com limitação física no início do estudo, 77,3% apresentaram melhora significativa, comparados a 42,9% entre os que receberam placebo.

Segurança e próximos passos regulatórios
O perfil de segurança da versão em comprimido foi semelhante ao da formulação injetável. Os efeitos adversos mais frequentes incluíram náusea (46,6%) e vômito (30,9%), em geral de intensidade leve a moderada e transitórios.
A Novo Nordisk já encaminhou à Food and Drug Administration (empresa reguladora dos EUA, semelhante a Anvisa no Brasil) o pedido de aprovação da nova formulação. O esperado é que decisão do órgão norte-americano aconteça até o fim de 2025.
Embora ainda não exista data oficial para o lançamento no Brasil, a empresa indica que o processo de disponibilização deve ocorrer logo após a aprovação internacional, ampliando as opções terapêuticas para o manejo da obesidade.