Uso de anabolizantes cresce no Brasil e acende alerta sobre riscos à saúde

Aumento do consumo preocupa autoridades e profissionais da saúde.

Por Caio Batelli

5 jun 2026

Imagem de uma pessoa colocando testosterona em uma seringa.

A morte recente do jovem fisiculturista Gabriel Ganley de 22 anos reacendeu o debate sobre os riscos associados ao uso de anabolizantes e hormônios para fins estéticos. O caso trouxe novamente à discussão o crescimento do consumo dessas substâncias entre jovens e adultos em busca de ganho de massa muscular, redução de gordura corporal e melhora da aparência física.

Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apontam que um em cada 16 estudantes do Ensino Fundamental e Médio já utilizou anabolizantes. Ao mesmo tempo, números da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o uso de testosterona cresceu 670% nos últimos cinco anos, evidenciando a expansão desse mercado no país.

O cenário chama atenção não apenas pelo aumento do consumo, mas também pela popularização de produtos hormonais entre pessoas que buscam mudanças estéticas rápidas, muitas vezes sem orientação adequada ou conhecimento dos riscos envolvidos.

Quando a testosterona é realmente indicada

A testosterona possui aplicações médicas reconhecidas e é indicada em situações específicas, como nos casos de hipogonadismo masculino, condição em que o organismo não produz o hormônio em quantidade suficiente.

A reposição também pode ser necessária para homens submetidos a tratamentos ou procedimentos que comprometam a produção natural de testosterona, como determinados tratamentos oncológicos, a remoção cirúrgica dos testículos ou infecções graves que afetem ambos os órgãos.

Fora dessas situações, o uso da testosterona para fins estéticos não possui indicação clínica. Além disso, não existe uma dose considerada segura para utilização com o objetivo de melhorar a aparência física.

Ainda assim, muitas pessoas recorrem ao hormônio sem necessidade médica, frequentemente sem avaliação adequada dos possíveis impactos à saúde.

Riscos vão além dos efeitos estéticos

A preocupação se torna ainda maior diante dos efeitos que essas substâncias podem provocar no organismo. Entre eles estão alterações hormonais e cardiovasculares capazes de agravar problemas de saúde já existentes e aumentar o risco de complicações graves.

O uso de anabolizantes e hormônios sem indicação médica pode afetar diferentes sistemas do corpo, especialmente quando ocorre por períodos prolongados ou sem acompanhamento profissional.

O crescimento desse mercado também tem ampliado a circulação de informações incompletas ou enganosas sobre os supostos benefícios dessas substâncias, contribuindo para a falsa percepção de que seu uso é livre de riscos.

Imagem de uma mesa com anabolizantes.

Peptídeos surgem como nova tendência

Outra tendência que começa a ganhar espaço é a divulgação dos chamados peptídeos, substâncias promovidas principalmente no mercado norte-americano com promessas de ganho de massa muscular, redução de gordura corporal, melhora da qualidade do sono e aumento da capacidade cognitiva.

Alguns produtos combinam diferentes compostos e são apresentados como soluções capazes de proporcionar múltiplos benefícios ao mesmo tempo, sendo divulgados como alternativas para quem busca melhorar o desempenho físico ou acelerar transformações corporais.

Apesar da popularidade crescente, essas promessas não contam com comprovação científica suficiente. Não existem estudos que demonstrem a eficácia dessas substâncias, seus mecanismos de ação, seus possíveis efeitos adversos e sua segurança em longo prazo.

Atualmente, não há conhecimento consolidado sobre como muitos desses produtos atuam no organismo nem sobre os impactos que podem causar à saúde.

Conscientização é fundamental

O avanço da comercialização de hormônios, implantes hormonais e novos compostos voltados ao desempenho físico levanta preocupações sobre a disseminação de soluções apresentadas como atalhos para transformar o corpo rapidamente.

Diante desse cenário, cresce a necessidade de conscientização sobre os riscos associados ao uso de substâncias para fins estéticos. O aumento do consumo de anabolizantes e de novos produtos sem comprovação robusta reforça a importância de decisões baseadas em evidências científicas e da busca por orientação médica antes de qualquer intervenção hormonal.

Mais do que resultados imediatos, a discussão envolve a preservação da saúde e a compreensão de que produtos vendidos como soluções rápidas podem trazer consequências que vão muito além da aparência física.