Sumário

SOP
Síndrome dos Ovários policísticos

A SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) é a causa mais comum de infertilidade em mulheres e atinge de 5 a 10 % das mulheres na idade fértil.

É uma doença endócrina complexa, multifatorial com influência de fatores genéticos e ambientais.

Causa alteração metabólicas, aumentos de hormônios masculinos , anovulação (ausência de ovulação) crônica e resistência insulínica.

As primeiras manifestações acontecem a partir da puberdade, entretanto os sintomas e a intensidade delas podem varias bastante.

Fatores de risco:

  1. Histórico familiar de SOP- mães, filhas e irmãs de mulheres com SOP tem maior chance de desenvolver a doença
  2. Obesidade-cerca de 50% das mulheres com SOP têm  obesidade

Sintomas:

  • Aumento do volume ovariano, com presença de múltiplos cistos
  • Ausência ou irregularidade da menstruação: são sintomas que indicam anovulação
  • Ausência de ovulação (anovulação)
  • Infertilidade
  • Aumento de peso
  • Seborréia
  • Acne
  • Hirsutismo (excesso de pelos em face e no corpo)
  • Queda de cabelo
  • Resistência à insulina 
  • Acantose nigricans: manchas escuras decorrentes da resistência insulínica que aparecem nas dobras, geralmente em pescoço, axilas braço e virilhas

 

Diagnóstico:

Para que se feche o diagnóstico de SOP é preciso que a paciente apresente dois ou três sintomas abaixo combinados, não basta apenas a presença de ovários policísticos.

Hiperandrogenismo Clínico:

  • Hirsutismo, acne ou alopecia androgênica (calvície)

  • Oligo ou anovulação: Manifesta-se com ciclos menstruais infrequentes (intervalo >38 dias ou amenorreia)
  • Ovários policísticos à ultrassonografia
    Presença de 12 ou mais folículos de 2-9 mm de diâmetro e/ou aumento do volume ovariano de, pelo menos, um ovário com mais de 10 mL, na ausência de folículo dominante acima de 10 mm ou corpo lúteo

Hiperandrogenismo Laboratorial:

  • Aumento dos níveis séricos de hormônios androgênios:  testosterona total, livre ou androstenidiona

 

Diagnósticos Diferenciais :

Deve ser realizada avaliação criteriosa para descartar outras doenças que podem causar quadros bastante semelhantes.

Os principais diagnósticos diferenciais são:

  1. Hiperprolactinemia
  2. Hipotireoidismo
  3. Hiperplasia adrenal congênita
  4. Tumores adrenais e ovarianos
  5. Síndrome de Cushing

Comorbidades associadas

A SOP frequentemente está associada com outros problemas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, complicações na gravidez e câncer de endométrio.

Desta forma toda mulher com diagnóstico de SOP deve ser avaliada quanto ao seu risco metabólico, principalmente para diabetes tipo 2 e doença cardiovascular.

Recomenda-se a realização de glicemia ,hemoglobina glicada (HbA1c), perfil lipídico e triglicérides. Nas mulheres com obesidade associada convém incluir testes para função hepática e avaliar a presença de esteatose hepática.

Doenças cardiovasculares

A presença de fatores de risco para doenças cardiovasculares deve ser investigada nas adolescentes e mulheres com SOP, os principais fatores de risco são:

      • Obesidade, principalmente central (circunferência abdominal >88 cm)

      • Tabagismo

      • Hipertensão

      • Dislipidemia

      • Doença vascular subclínica

      • Intolerância à glicose

      • História familiar de doença cardiovascular prematura (<55 anos de idade em parente do sexo masculino e/ou <65 anos de idade em parente do sexo feminino)
        As mulheres são consideradas de alto risco na presença de:

      • Síndrome metabólica

      • Diabetes mellitus tipo 2

      • Doenças cardiovasculares, doença vascular ou renal evidente

      • Apneia obstrutiva do sono

    Complicações gestacionais

    Mulheres com SOP podem apresentar complicações durante a gravidez, como diabetes gestacional, parto prematuro e pré-eclâmpsia, especialmente se houver obesidade concomitante.

    Transtornos psiquiátricos

    A frequência de depressão, ansiedade e transtorno do pânico é mais elevada em mulheres com SOP.

    Doença Gordurosa do Fígado

    A doença hepática gordurosa não alcoólica e a esteato-hepatite não alcoólica podem ocorrer em pacientes com SOP.

    Câncer de endométrio

    Há aumento do risco de câncer de endométrio em mulheres com SOP, especialmente naquelas com obesidade, amenorreia prolongada, diabetes e/ou sangramento uterino anormal.

     

    Tratamento

    Mudanças de estilo de vida: 

    • cessação tabagismo
    • redução consumo de álcool
    •  atividade física regular
    •  normalização do peso – melhora clínica na SOP tem sido observada com perda ponderal de apenas 5% do peso

    corporal

    Medicamentos

    • Contraceptivos orais combinados– são a primeira linha de tratamento

    Promovem a redução dos hormônios androgênicos, proteção endometrial e regularização dos ciclos menstruais quando utilizadosvde forma cíclica. Além disso garantem a contracepção, o que é fundamental quando utilizados em associação
    com medicamentos antiandrogênios.

    • Metformina

    Além de ter ações metabólicas que melhoram a sensibilidade à ação da insulina, pode reduzir a secreção de androgênios pelos ovários e melhorar ou restaurar a ciclicidade menstrua.

    • Anti-androgênicos

    A primeira escolha é o acetato de ciproterona, sendo o único que apresenta indicação para SOP em bula.
    A prescrição de anti-androgênio sem a associação com contraceptivo oral requer sempre o uso concomitante
    de método contraceptivo eficaz em mulheres sexualmente ativas, porque em caso de gravidez durante o tratamento pode causar  a feminização de um feto masculino.

    Duração do Tratamento

    O tratamento deve ser contínuo, sendo interrompido apenas quando a paciente  deseja engravidar.

     A taxa de recorrência de hirsutismo dentro de 6 meses após a suspensão do tratamento é de 80% , assim  como as demias  manifestações clínicas e laboratoriais.

    contatos Dra Ana Lúcia Gomes