Novo medicamento apresentou resultados próximos aos da cirurgia bariátrica e superou índices observados em tratamentos já utilizados contra a obesidade.
Por Caio Batelli
27 mai 2026

Uma das medicações mais aguardadas entre os tratamentos para obesidade apresentou resultados que chamaram atenção da comunidade médica. A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly, levou participantes de um estudo clínico a perderem, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento.
Os dados fazem parte da fase 3 dos ensaios clínicos, etapa final antes do pedido de aprovação junto às agências regulatórias. O resultado aproximou o desempenho da medicação ao observado em procedimentos como a cirurgia bariátrica, que costuma gerar uma redução média de 30% a 35% do peso corporal total em um período semelhante.
Além da média geral elevada, quase metade dos participantes que utilizaram a dose mais alta da retatrutida perdeu mais de 30% do peso corporal.
O estudo acompanhou 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças. Os participantes receberam doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg da retatrutida. Também houve um grupo placebo, que utilizou canetas sem o medicamento.
Os melhores resultados apareceram entre os participantes que receberam 12 mg da substância: 45,3% deles perderam mais de 30% do peso total.
Mesmo nas menores doses, porém, os números foram considerados expressivos. No grupo que utilizou 4 mg, a perda média chegou a 19% do peso inicial após as 80 semanas de acompanhamento.
Já entre os participantes que receberam placebo, a redução média foi de apenas 2,2%.
Os resultados divulgados colocam a retatrutida acima de outras medicações já utilizadas atualmente para tratamento da obesidade.
A semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, costuma apresentar perdas entre 15% e 20% do peso corporal após cerca de 72 semanas, dependendo da dose utilizada.
Já a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, registra redução entre 15% e 22,5% em períodos semelhantes.
Mesmo com os resultados expressivos, especialistas reforçam que medicamentos desse tipo devem ser associados a mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas.

Um dos fatores apontados para os resultados mais robustos da retatrutida é o mecanismo conhecido como “triplo agonista”.
A substância atua simultaneamente em três receptores hormonais ligados ao metabolismo e ao controle da fome: GLP-1, GIP e glucagon.
Os medicamentos mais recentes disponíveis atualmente, como a tirzepatida, atuam em dois desses mecanismos. A expectativa é que a ação combinada da retatrutida possa ampliar os efeitos sobre saciedade, gasto energético e controle metabólico.
Apesar do avanço nos estudos, a retatrutida ainda não pode ser comprada legalmente em nenhum país. Especialistas alertam que qualquer produto anunciado atualmente com esse princípio ativo deve ser considerado falsificado.
Os resultados divulgados pertencem à fase final de testes clínicos antes da análise das agências regulatórias. A expectativa é que o avaliação do pedido de aprovação ocorra ainda este ano nos Estados Unidos.
Se os próximos passos ocorrerem dentro do esperado, a previsão é que o medicamento comece a ser vendido no mercado norte-americano em 2027.
No Brasil, a chegada da medicação ainda depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Até o momento, não existe prazo definido para essa análise.
Além da autorização regulatória, o lançamento nacional também depende das estratégias comerciais da fabricante.