Dinavisa afirma que medicamento não tem registro nem permissão para venda, substância da Eli Lilly ainda está em fase 3 de estudos clínicos.
Por Caio Batelli
4 mar 2026

Um anúncio feito no Paraguai sobre o suposto lançamento “em breve” de uma caneta para emagrecimento à base de Retatrutide acendeu o alerta das autoridades sanitárias. Apesar da divulgação pública, a Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria (Dinavisa) informou oficialmente que o produto não possui registro sanitário, nem autorização para importação, fabricação, distribuição, promoção ou comercialização no país.
A retatrutida é uma molécula em desenvolvimento pela farmacêutica norte-americana Eli Lilly, estudada para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Atualmente, o composto está em fase 3 de estudos clínicos, etapa em que a eficácia e a segurança são avaliadas em um número maior de pacientes antes de qualquer pedido formal de registro às agências reguladoras. Até o momento, não houve anúncio público da empresa sobre início de produção industrial ou lançamento comercial.
A controvérsia começou após um evento no Paraguai com participação de influenciadores brasileiros, no qual foi mencionada a futura chegada da substância ao mercado local, sem data definida. O anúncio teria partido do laboratório Eticos, que já produz a Lipoless, caneta proibida no Brasil e alvo de apreensões pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Após a repercussão, a Dinavisa divulgou comunicado oficial esclarecendo que o medicamento com retatrutida não conta com registro sanitário vigente no país e tampouco possui aprovação por autoridades regulatórias reconhecidas internacionalmente. O órgão também destacou que não há garantias verificadas sobre qualidade, segurança e eficácia do produto e que qualquer forma de promoção relacionada a ele carece de respaldo sanitário.
Depois do comunicado, o laboratório confirmou que ainda não há data de lançamento e que qualquer comercialização dependeria de aprovação regulatória.

A discussão ocorre em um contexto de fiscalização intensificada. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem alertando sobre a entrada irregular de canetas emagrecedoras no país, com ações nas fronteiras. A PRF já apreendeu versões ilegais de retatrutida vindas do Paraguai, produzidas sem autorização.
Além disso, o próprio Paraguai enfrenta problemas com falsificações. Recentemente, a Dinavisa alertou para a circulação de um lote falsificado de sua versão de tirzepatida, identificada como T.G., reforçando a preocupação com o mercado paralelo de medicamentos injetáveis para perda de peso.
Especialistas alertam que a retatrutida ainda está em fase de pesquisa. Isso significa que não há definição conclusiva sobre eficácia, perfil de segurança, contraindicações, dose ideal ou condições adequadas de produção e armazenamento.
Por esse motivo, qualquer produto que afirme conter a substância, especialmente sem aprovação regulatória, representa potencial risco à saúde.
A Dinavisa reforça que todo medicamento precisa ter registro sanitário concedido conforme a legislação vigente para garantir controle de qualidade, transporte adequado e segurança ao paciente. O órgão orienta a população a não adquirir produtos sem autorização oficial, verificar sempre o registro sanitário antes do uso e denunciar ofertas irregulares pelos canais institucionais.
No Brasil, médicos lembram que apenas medicamentos aprovados pela Anvisa podem ser comercializados legalmente. Esse controle é fundamental para proteger pacientes de substâncias sem comprovação científica ou de produtos falsificados, um cenário que, no caso da retatrutida, ainda exige cautela e acompanhamento das decisões regulatórias.