Medicamentos podem interferir na absorção da pílula em alguns casos e também estão associados a mudanças em fatores ligados à fertilidade.
Por Caio Batelli
17 set 2026

As chamadas canetas estão cada vez mais presentes entre mulheres em idade fértil, o que coloca em evidência questões relacionadas à contracepção, à fertilidade e ao planejamento de uma gravidez. Nos Estados Unidos, o uso desses medicamentos entre mulheres de 18 a 25 anos cresceu 659% entre 2020 e 2023.
Uma das principais informações para quem utiliza anticoncepcionais é que, na maioria dos casos, as canetas não diminuem o efeito desses medicamentos. Semaglutida, liraglutida, dulaglutida e exenatida não mostraram redução clinicamente relevante na eficácia dos anticoncepcionais orais.
A tirzepatida, porém, apresenta uma diferença em relação aos demais medicamentos. Ela pode reduzir temporariamente a absorção do anticoncepcional oral, o que exige atenção de mulheres que utilizam a pílula durante o tratamento.
A mulher que toma pílula pode utilizar tirzepatida, mas precisa recorrer a uma proteção contraceptiva adicional durante quatro semanas após o início do tratamento e também durante quatro semanas depois de cada aumento da dose.
Outra alternativa é utilizar um método contraceptivo que não dependa da absorção pelo intestino para funcionar, como o DIU.
Além da questão contraceptiva, as canetas também podem estar relacionadas a mudanças em fatores ligados à fertilidade, especialmente entre mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), anteriormente chamada de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Nesse grupo, os estudos mostram melhora da resistência à insulina, redução dos níveis de androgênios e melhora da regularidade menstrual.
Uma revisão de vários estudos encontrou uma probabilidade 72% maior de gravidez espontânea. Ainda assim, os dados disponíveis não incluem estudos robustos que mostrem um aumento na ocorrência de nascidos vivos.
Esse resultado reforça a importância de considerar o planejamento reprodutivo antes de iniciar o tratamento, principalmente para mulheres que podem desejar engravidar.
As canetas não são recomendadas durante a gestação. Para uma gravidez planejada, a orientação atual é suspender o tratamento cerca de dois meses antes.
Também existem dados observacionais sobre mulheres que tiveram exposição inadvertida aos medicamentos no início da gravidez. Essas informações não mostraram um aumento claro de malformações congênitas maiores. Isso, porém, não significa que o uso das canetas durante a gestação seja considerado seguro.
Por isso, o planejamento reprodutivo também deve ser considerado no tratamento com qualquer uma dessas canetas. Antes de iniciar o medicamento, duas questões são importantes: existe desejo de engravidar? E qual método contraceptivo está sendo utilizado?
Quando o tratamento pode mudar a função reprodutiva, o planejamento reprodutivo passa a fazer parte das decisões relacionadas ao próprio tratamento.