Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para aliviar fogachos da menopausa

Nova opção amplia alternativas para mulheres que não podem ou não desejam utilizar terapia hormonal.

Por Caio Batelli

26 jun 2026

Foto do remédio fezolinetanto

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para o tratamento dos fogachos da menopausa, sintomas que incluem ondas de calor repentinas e suores noturnos. O produto será comercializado no Brasil com o nome Veoza, pela farmacêutica Astellas, e é administrado por meio de comprimidos de uso diário.

Até o momento, a principal opção terapêutica para controlar os sintomas vasomotores da menopausa era a terapia hormonal. A chegada do fezolinetanto amplia as possibilidades de tratamento, especialmente para mulheres que não podem utilizar hormônios devido a histórico de câncer de mama, contraindicações cardiovasculares ou por decisão pessoal.

Como surgem os fogachos da menopausa

O diferencial do novo medicamento está em seu mecanismo de ação. Em vez de repor o estrogênio, como ocorre na terapia hormonal tradicional, ele atua diretamente em uma área do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal.

Os fogachos estão relacionados a alterações que ocorrem no hipotálamo, estrutura cerebral que funciona como um regulador térmico do organismo. Durante o período reprodutivo, os níveis de estrogênio produzidos pelos ovários ajudam a manter o equilíbrio de substâncias químicas envolvidas nesse controle. Com a menopausa e a queda da produção hormonal, esse equilíbrio é alterado.

Entre essas substâncias está a neurocinina B, que passa a estimular excessivamente determinados neurônios do hipotálamo. Como consequência, o cérebro interpreta de forma equivocada que o corpo precisa dissipar calor, desencadeando episódios de calor intenso, vermelhidão na pele e suor excessivo, muitas vezes durante a noite.

Foto de um termômetro corporal

Medicamento atua diretamente no cérebro

O fezolinetanto age bloqueando os receptores utilizados pela neurocinina B nesses neurônios. Ao impedir essa ligação, o medicamento ajuda o hipotálamo a recuperar um controle mais estável da temperatura corporal, reduzindo tanto a frequência quanto a intensidade dos fogachos.

Dessa forma, o tratamento não busca compensar a redução dos níveis de estrogênio, mas sim interromper o mecanismo cerebral responsável pelo surgimento dos sintomas.

Quando o medicamento chegará às farmácias?

Embora a aprovação regulatória já tenha sido concedida pela Anvisa, o medicamento ainda não está disponível para venda no país. Antes de chegar às farmácias, o produto precisa passar pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por definir o preço de comercialização.

Até o momento, não há previsão para a conclusão dessa etapa nem para o início da venda do medicamento no mercado brasileiro.