Sumário
Quando a testosterona é necessária?
Nas últimas décadas tem circulado muita informação errônea sobre a reposição de Testosterona.
Vamos esclarecer quando ela é necessária?
Hipogonadismo masculino é o nome dado à condição clínica na qual há redução da produção de Testosterona em homens, este é um problema de saúde muitas vezes não diagnosticado e que tem grande impacto na saúde e no bem estar.
Nestes casos o diagnóstico deve investigar as causas do problema e muitas vezes a reposição de Testosterona está indicada.
A produção normal de testosterona nos homens depende de um delicado sistema endócrino que chamamos Eixo Hipotálamo- Hipófise – Testículo, este Eixo é dinâmico e auto regulado por mecanismo de feed-back positivo e negativo de forma que a produção da testosterona varia ao longo do tempo de acordo com as necessidades de cada pessoa em cada momento da sua vida.
Eixo Hipotálamo-Hipófise-Testículos
O Hipotálamo e a Hipófise são duas estruturas localizadas no Sistema Nervoso Central e podemos dizer que comandam
a função de todas as outras glândulas endócrinas do corpo humano como tireoide, adrenais e gônadas (ovários nas mulheres e testículos nos homens).
Falando especificamente do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Testículo, no seu funcionamento normal ,o Hipotálamo produz GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) que tem por função estimular a Hipófise a produzir as gonadotrofinas que são LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo estimulante).
Estes dois hormônios atuam diretamente nos testículos , o LH estimulando as Células de Leydig a produzir de testosterona e o FSH estimulando as Células de Sertoli a produzirem espermatozoides.
Esse sistema é dinâmico e auto regulado por mecanismo de feed-back que funciona da seguinte forma:
Feed-back positivo:

Sempre que a produção de testosterona diminui e os níveis do hormônio ficam baixos no sangue o Hipotálamo e a Hipófise detectam essa queda através de seus receptores e imediatamente aumentam a produção de GnRH e consequentemente de LH e FSH para aumentar o estímulo no testículo e assim aumentando a produção de Testosterona.
Feed-back Negativo:

Ao contrário quando a produção de testosterona aumenta muito os receptores do Hipotálamo e Hipófise detectam a elevação dos níveis de testosterona no sangue e diminuem a produção de Gnrh , LH e FSH objetivando diminuir o estímulo sobre os testículos e assim reduzir a produção da Testosterona.
Os níveis ideais de testosterona variam de pessoa a pessoa, e no mesmo indivíduo ao longo da vida.
Com esse sistema tão preciso, sensível e auto regulado o Eixo Hiopotálamo-Hipófise-Testículos mantem um fino ajuste na produção de testosterona de acordo com sua idade, situação de saúde e necessidade diária.
Hipogonadismo Masculino:
Temos 2 pontos principais onde o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Testículo pode falhar levando a redução dos níveis normais de Testosterona.
Pode haver falha no estímulo Central do Hipotálamo e da Hipófise , o mais comum é da Hipófise, ao que chamamos de Hipogonadismo Primário ou Hipogonadismo Hipogonadotrófico.
Ou a falha pode ser no Testículo, que mesmo recebendo estímulo adequado não responde com a produção normal de testosterona e espermatozoides, chamamos a este quadro de Hipogonadismo Secundário o Hipergonadotrófico.
Hipogonadismo Primário:

A causa mais comum Hipogonadismo Primário ou Hipogonadotrófico é doença Hipofisária, por falência primária da glândula, adenomas ou sequelas de trauma, cirurgia ou radiação como radioterapia na região do crânio.
Nestes casos os exames de sangue mostrarão Testosterona baixa, LH e FSH também baixos, o que é inadequado (o esperado num Eixo normal seria o aumento do LH e FSH), é necessário então realizar dosagens de todos os hormônio produzidos pela Hipófise a fim de diagnosticar outras possíveis deficiências hormonais e Ressonância Magnética para identificar a presença adenomas ou alterações anatômicas da glândula.
Não havendo produção de LH e FSH não há estímulo ao testículo que deixa de produzir testosterona e espermatozoides.
O tratamento inicial deve ser da causa do problema hipofisário, se não for possível restabelecer o funcionamento normal da Hipófise deve-se então iniciar então a reposição da Testosterona. A produção de espermatozoides entretanto não melhora com a reposição hormonal e no caso de desejo de ter filhos há algumas opções a serem consideradas.
Hipogonadismo secundário:

O hipogonadismo secundário significa “falência testicular” , ou seja, mesmo com estímulo adequado de LH e FSH o testículo não responde com a produção de testosterona e espermatozoides de forma adequada.
A principais causas são criptorquidia ( testículos na região da virilha), varicocele, exposição a quimioterapia e radioterapia, trauma, sequela de infecções e causas genéticas como microdeleção do cromossomo Y e Síndrome de Klinefelter.
Nestes caso nos exames laboratoriais teremos a Testosterona baixa na presença de LH e FSH elevados, mostrando que o Eixo Hipotálamo-Hipófise está preservado.
É necessária a investigação da causa da falência testicular e seu tratamento quando possível.
Caso não seja possível nenhum tratamento que restabeleça a função testicular está indicada a reposição de testosterona.
O que acontece quando um homem usa Testosterona sem necessidade ?
Lembram-se do sistema de feed-back negativo?
Se um homem tem níveis de testosterona normais e mesmo assim faz uso de testosterona para fins estéticos ou melhora da performance esportiva ou sexual fica com níveis de testosterona cima do normal no sangue.
Quando o Eixo Hipotálamo-Hipofíse detecta o excesso de testosterona imediatamente bloqueia a produção de GnRH, LH e FSH na tentativa de reduzir os níveis de elevados de testosterona para os valores normais.
O testículo desta forma é bloqueado e deixa de produzir testosterona e espermatozoides.
Dependendo da dose, do tempo de uso e da sensibilidade de cada pessoa(o que é imprevisível), quando cessa a reposição excessiva de testosterona, o Eixo não consegue voltar a funcionar, fica definitivamente bloqueado, ou o testículo que foi bloqueado durante o tempo da reposição excessiva de testosterona sofre uma atrofia e não consegue voltar a funcionar mesmo que o Eixo volte a estimulá-lo adequadamente com o aumento do LH e FSH.
Muitas vezes nestes casos temos como consequência a instalação de um Hipogonadismo secundário irreversível, sendo necessária a reposição de testosterona definitiva.
Porém devemos lembrar que a reposição hormonal não normaliza a produção de espermatozoides, o que pode significar esterilidade irreversível.
Outas causas de Hipogonadismo:
Além das doenças que afetam diretamente o Eixo hormonal temos também doenças sistêmicas que alteram o bom funcionamento de todo o organismo, inclusive do sistema endócrino. As mais comuns são obesidade, diabetes, hipertensão, síndrome metabólica e doenças consumptivas como neoplasias por exemplo.
Nestes casos sempre é necessário tratar a causa base, somente se a produção hormonal não for restabelecida deve-se considerar a reposição de testosterona.
Sintomas de Hipogonadismo:
A testosterona é um hormônio muito importante para várias funções orgânicas e a sua deficiência implica em um problema de saúde que precisa ser investigado e adequadamente tratado para que não hajam consequências mais sérias para a saúde e bem estar.
Os principais sintomas e riscos do hipogonadismo em homens são insônia, fadiga, redução da libido, disfunção erétil, redução de pelos, osteoporose, redução massa muscular, redução da força muscular, resistência insulínica ,aumento gordura visceral, aumento do risco de desenvolver diabetes, hipertensão, aumento do risco cardiovascular.
Reposição de Testosterona:
A reposição de testosterona está indicada após a investigação e tratamento da causa do Hipogonadismo.
Como qualquer tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico, preferencialmente endocrinologista.
A avaliação da função hepática, cardíaca e da próstata são fundamentais antes de iniciar o tratamento de reposição de testosterona e devem ser monitoradas periodicamente pelo seu médico.
As únicas formas efetivas de reposição de Testosterona são por injeção intramuscular ou por aplicação de gel trasndérmico, a dose deve ser ajustada a cada pessoa de acordo com sua idade, situação clínica, peso corporal e das dosagens séricas de testosterona durante a reposição que deve ficar dentro da faixa normal, nunca em excesso.
Embora a testosterona seja diretamente associada a desempenho sexual e ganho de massa muscular devemos lembrar que a saúde física e emocional são tão importantes quanto os níveis hormonais.
A saúde física e emocional deve sempre ser prioridade!
A estética e o aumento do desempenho esportivo e sexual serão temporários ou totalmente perdidos se você ficar doente ….
A vida vale muito ! Cuide-se!