Anvisa aprova medicamento que pode atrasar o avanço do diabetes tipo 1

Medicamento atua no sistema imunológico e pode adiar a necessidade de insulina em pacientes com alto risco, especialmente crianças e adolescentes.

Por Caio Batelli

18 mar 2026

Foto do remedio Tzield

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de um novo medicamento com potencial para adiar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em pessoas com alto risco para a doença. A novidade representa um avanço importante no manejo precoce dessa condição, especialmente em crianças e adolescentes.

O medicamento, chamado Tzield® (teplizumabe), é indicado para pacientes a partir dos 8 anos que já apresentam sinais iniciais do diabetes tipo 1, mas ainda não evoluíram para a fase completa da doença. Nesses casos, o organismo já começa a apresentar alterações, mas ainda não depende totalmente do uso de insulina.

Como a doença se desenvolve e a ação do novo remédio

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que o sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Com a redução ou ausência desse hormônio, a glicose se acumula no sangue, podendo causar uma série de complicações ao longo do tempo.

A proposta do novo tratamento é atuar diretamente nesse processo. O medicamento age modulando a resposta do sistema imunológico, com o objetivo de reduzir a velocidade de destruição das células produtoras de insulina.

Na prática, isso pode retardar a progressão da doença até o estágio em que o paciente passa a necessitar de tratamento completo com insulina, conhecido como estágio 3 do diabetes tipo 1.

Foto de insulina

Impactos para pacientes e próximos passos no Brasil

Especialistas destacam que esse atraso no avanço da doença pode trazer benefícios relevantes. Isso porque o controle da glicemia pode ser desafiador, mesmo com tratamento adequado, e a exposição prolongada a níveis elevados de açúcar no sangue aumenta o risco de complicações, como problemas cardiovasculares, renais e oculares.

Apesar da aprovação pela Anvisa, o medicamento ainda precisa passar por etapas adicionais antes de chegar ao mercado brasileiro. Entre elas está a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A agência publicou a decisão no Diário Oficial da União na segunda-feira (9).

 

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