Entenda como o uso dos agonistas de GLP-1 pode ultrapassar o efeito terapêutico, provocar apagamento da fome e comprometer massa muscular e metabolismo quando não há acompanhamento adequado.
Por Caio Batelli
25 fev 2026

Os agonistas de GLP-1 são medicamentos eficazes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Eles:
Esses efeitos são esperados e fazem parte do mecanismo terapêutico. Porém, problema surge quando essa ação ultrapassa o limite adequado.
A saciedade terapêutica é aquela em que há redução proporcional da fome, mas com preservação do interesse alimentar. A pessoa consegue manter ingestão proteica e energética adequadas e perde peso com preservação funcional.
Já na agonorexia, o que ocorre é diferente. Há ausência ou apagamento completo da fome, desinteresse ativo ou até aversão à comida, ingestão proteica insuficiente e perda de peso acelerada com perda desproporcional de massa magra, especialmente músculos.
Nesse cenário, a supressão da fome deixa de ser um efeito benéfico e passa a ser um efeito farmacológico excessivo.

Com a ação intensa do medicamento, o cérebro recebe um bloqueio mais forte do sinal de fome. O prazer em comer diminui, o estômago esvazia mais lentamente e o corpo pode perder músculo de forma desproporcional.
O resultado pode parecer positivo à primeira vista: emagrecimento. Mas, na prática, o metabolismo pode ser comprometido.
Em outras palavras: você emagrece, mas compromete todo o seu metabolismo.
Alguns sintomas podem indicar supressão excessiva do apetite induzida por medicação, caracterizando agonorexia:
Esses sinais merecem atenção e avaliação médica.
Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver agonorexia:
Nem todo emagrecimento é saudável. O silêncio da fome não é um sinal positivo.
É importante esclarecer: a agonorexia não é um transtorno alimentar. No entanto, pode estar associada a eles. Trata-se de um possível efeito colateral dos agonistas de GLP-1 quando utilizados além do limite adequado.