Terapia hormonal pode potencializar efeito da tirzepatida na perda de peso após a menopausa

Estudo aponta que mulheres na pós-menopausa que usam terapia hormonal emagreceram 35% a mais com tirzepatida. Resultado pode ampliar estratégias contra obesidade e risco cardiovascular.

Por Caio Batelli

19 fev 2026

Foto do Mounjaro, que contém tirzepatida

Um novo estudo conduzido pela Mayo Clinic trouxe dados relevantes para o tratamento da obesidade em mulheres na pós-menopausa. A pesquisa observou que pacientes que utilizavam terapia hormonal da menopausa e faziam uso da tirzepatida apresentaram uma perda de peso 35% maior em comparação às que usaram apenas o medicamento para obesidade.

A tirzepatida é um fármaco aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para o tratamento do sobrepeso e da obesidade. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women’s Health e podem abrir novas perspectivas terapêuticas para milhões de mulheres que enfrentam ganho de peso e doenças associadas após a menopausa.

Menopausa, ganho de peso e risco cardiovascular

A menopausa pode acelerar o aumento de peso relacionado ao envelhecimento. Além disso, eleva a probabilidade de desenvolvimento de sobrepeso e obesidade, condições que estão entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras complicações metabólicas.

A queda dos níveis de estrogênio, característica desse período, também está associada a alterações metabólicas que independem do peso corporal e que podem aumentar o risco cardiovascular. Diante desse cenário, compreender como diferentes terapias interagem se torna essencial para estratégias mais eficazes e individualizadas de cuidado cardiometabólico na pós-menopausa.

Foto representativa da terapia hormonal

O papel da terapia hormonal

A terapia hormonal é considerada o tratamento mais eficaz de primeira linha para os sintomas da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, que atingem até 75% das mulheres nessa fase da vida.

Embora ainda existam poucos dados sobre a interação entre terapia hormonal e medicamentos para emagrecimento, pesquisas anteriores já haviam demonstrado que mulheres na pós-menopausa em uso de terapia hormonal apresentaram maior perda de peso quando tratadas com semaglutida, um medicamento antiobesidade baseado em GLP-1.

Até então, não havia estudos avaliando se esse mesmo efeito poderia ocorrer com a tirzepatida.

Como o estudo foi conduzido

Para investigar essa possível associação, os pesquisadores analisaram dados de 120 mulheres com sobrepeso ou obesidade que utilizaram tirzepatida para controle de peso por 12 meses ou mais.

As participantes que faziam uso concomitante de terapia hormonal foram comparadas a mulheres com características semelhantes que utilizavam apenas a tirzepatida, sem reposição hormonal.

Os resultados mostraram que aquelas em terapia hormonal apresentaram cerca de 35% mais perda de peso do que as que usaram apenas o medicamento.

O que os resultados significam

Por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar que a terapia hormonal foi a causa direta da perda de peso adicional. Existe a possibilidade de que mulheres em uso de terapia hormonal já estivessem mais engajadas em hábitos saudáveis ou que o alívio dos sintomas da menopausa tenha melhorado o sono e a qualidade de vida, facilitando a adesão a mudanças alimentares e à prática de atividade física.

Mesmo assim, os pesquisadores consideram que a magnitude da diferença observada é clinicamente relevante e justifica novas investigações.

Dados pré-clínicos sugerem que pode existir uma ação sinérgica entre o estrogênio e medicamentos baseados em GLP-1, já que o hormônio pode potencializar o efeito de redução do apetite promovido por esse tipo de tratamento.

Próximos passos da pesquisa

A próxima etapa será a realização de um ensaio clínico randomizado para testar essas observações de forma mais controlada. Os pesquisadores também pretendem avaliar se os possíveis benefícios vão além da perda de peso, investigando se a terapia hormonal pode intensificar os efeitos da tirzepatida sobre marcadores cardiometabólicos.

Caso esses achados sejam confirmados, a combinação terapêutica poderá acelerar o desenvolvimento e a adoção de estratégias baseadas em evidências para reduzir o risco cardiometabólico de milhões de mulheres na pós-menopausa.