Proposta envolve medicamentos para diabetes e obesidade e surge em meio à investigação de casos suspeitos
11 fev 2026

A Câmara dos Deputados avançou na análise de um projeto de lei que pode permitir a quebra da patente de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A proposta envolve remédios à base de tirzepatida, como Mounjaro, que vêm sendo amplamente utilizados nesses tratamentos.
O andamento do projeto foi acelerado após a aprovação do regime de urgência, mecanismo que permite que a matéria seja votada diretamente no plenário da Câmara dos Deputados, sem passar pelas comissões responsáveis por analisar seu conteúdo. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (9).
A aprovação do regime de urgência contou com ampla maioria: 337 deputados votaram a favor da tramitação acelerada, enquanto 19 se posicionaram contra a medida.
O projeto atribui caráter de interesse público aos medicamentos citados. Caso a quebra de patente seja autorizada, outras empresas poderiam fabricar medicamentos semelhantes, o que aumentaria a oferta no mercado e poderia diminuir o preço, facilitando o acesso da população a esses tratamentos.
Apesar do apoio expressivo, a proposta gerou protestos entre parte dos parlamentares. Deputados contrários argumentaram que a quebra de patente pode representar insegurança jurídica para o setor farmacêutico.
Segundo esses críticos, a medida poderia impactar negativamente investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação de novos medicamentos no país.

Na justificativa apresentada, o deputado Mário Heringer (PDT-MG), autor do projeto e do pedido de urgência, destacou a importância dos medicamentos no combate a doenças crônicas associadas à obesidade.
O parlamentar mencionou que o custo mundial do tratamento dessas doenças é estimado em cerca de 1,2 trilhão de dólares, considerando um cenário em que mais de 2,7 bilhões de pessoas vivem com obesidade ou sobrepeso e necessitam de cuidados médicos.
Esse impacto econômico e social foi usado como argumento central para defender a tramitação acelerada da proposta no Congresso Nacional.
A discussão sobre a proposta ocorre em um momento de forte visibilidade desses medicamentos no país, tanto pelo crescimento da demanda quanto pela relevância no tratamento de doenças crônicas. O tema passou a ganhar espaço no Congresso diante da dimensão do impacto da obesidade na saúde pública.
O cenário apresentado pelo autor do projeto reforça o peso econômico e social dessas condições em escala global, envolvendo bilhões de pessoas que necessitam de acompanhamento médico contínuo. Esse contexto ajudou a impulsionar o debate legislativo.
Com a tramitação acelerada, o tema tende a permanecer no centro das discussões políticas nas próximas semanas, mantendo atenção voltada às possíveis mudanças no acesso e na oferta desses tratamentos.