Avaliação nacional aponta desempenho insatisfatório em mais de 100 faculdades, que podem sofrer punições como corte de vagas e suspensão de Fies e Prouni.
Por Caio Batelli
28 jan 2026

Uma parcela significativa dos cursos de medicina no Brasil apresentou desempenho abaixo do esperado no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), 30% dos cursos avaliados tiveram resultados considerados insatisfatórios e poderão sofrer punições, que vão desde restrições de vagas até a suspensão de benefícios como Fies e Prouni.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram do Enamed 2025, incluindo instituições públicas federais, estaduais, municipais e faculdades privadas ligadas ao Sistema Federal de Ensino. Dentre eles, mais de 100 cursos ficaram abaixo do nível mínimo de aprovação, acendendo um alerta sobre a qualidade da formação médica no país.
Entre os 304 cursos de medicina vinculados ao Sistema Federal de Ensino que participaram da avaliação, os resultados foram distribuídos da seguinte forma:
| UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS | UFSCAR | São Carlos | SP | 100,0% | 5 |
| UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL | UFMS | Três Lagoas | MS | 100,0% | 5 |
| UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO | USP | São Paulo | SP | 98,8% | 5 |
| UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA | UFV | Viçosa | MG | 98,0% | 5 |
| UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO | USP | Ribeirão Preto | SP | 97,9% | 5 |
| FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA SÃO PAULO | FCMSCSP | São Paulo | SP | 97,5% | 5 |
| UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO OESTE | UNICENTRO | Guarapuava | PR | 97,5% | 5 |
| UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA | UFBA | Vitória da Conquista | BA | 97,4% | 5 |
| FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO | UNIVASF | Petrolina | PE | 97,4% | 5 |
| FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO | UNIVASF | Paulo Afonso | BA | 97,3% | |
Dentro do grupo com desempenho negativo, 24 cursos receberam conceito 1 e 83 ficaram com conceito 2, totalizando 107 cursos considerados “reprovados”. No entanto, apenas 99 deles estarão sujeitos às penalidades, já que instituições estaduais e municipais não são diretamente administradas pelo MEC.

As sanções aplicadas vão variar conforme a nota obtida no exame. Cursos com conceito 2 não poderão ampliar o número de vagas e ficarão impedidos de firmar novos contratos com programas federais de financiamento estudantil, como Fies e Prouni.
Já os cursos que receberam conceito 1 enfrentarão medidas mais severas. Por exemplo a redução do número de vagas a partir do primeiro semestre de 2026, com possibilidade, em casos extremos, de cancelamento do vestibular. Atualmente, a nota máxima do Enamed é 5.
Dos 99 cursos que sofrerão penalidades, o MEC detalhou as seguintes medidas:
Além disso, todos esses cursos também ficam suspensos de participar do Fies e de outros programas federais.
Os dados mostram um desempenho melhor entre as universidades públicas federais, que concentraram 87,6% das notas nas faixas 4 e 5. As instituições estaduais também apresentaram bom resultado, com 84,7% nessas faixas mais altas.
Em contrapartida, as instituições públicas municipais chamaram atenção negativamente: 87,5% delas ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas de baixo desempenho. Já entre as instituições privadas com fins lucrativos, 58,4% obtiveram conceitos baixos, enquanto as chamadas instituições especiais somaram 54,6% nas faixas inferiores.
O balanço oficial do Enamed 2025 foi apresentado no dia 19 de janeiro, durante um encontro com a imprensa no Ministério da Educação, em Brasília. O ministro da Educação, Camilo Santana, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, divulgaram os números.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) se manifestou criticamente sobre o uso imediato dos resultados para aplicação de sanções. Em nota, a entidade afirmou ter “profunda preocupação” com a condução do exame e criticou o fato de que, já na primeira edição do Enamed, tenham sido adotadas medidas punitivas severas, como restrição de vagas e impedimento de novos ingressos.
Segundo a Abmes, faltou um período de transição e um diálogo mais estruturado com o setor educacional. A entidade defende que os resultados do Enamed 2025 sejam utilizados como um diagnóstico inicial, servindo de base para o aprimoramento das próximas edições do exame, e não como instrumento imediato de punição.