Anvisa proíbe canetas emagrecedoras vendidas como “canetas do Paraguai”

Produtos eram anunciados nas redes sociais sem registro no Brasil, a decisão também reforça a proibição da retatrutida, substância que ainda está em fase de testes clínicos.

Por Caio Batelli

22 jan 2026

Imagem da sede da Anvisa

Duas marcas irregulares

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição total da fabricação, importação, comercialização, distribuição, divulgação e uso de canetas injetáveis de tirzepatida das marcas Synedica e TG, conhecidas popularmente nas redes sociais como “canetas do Paraguai”. A decisão também inclui a retatrutida, de todas as marcas, substância que ainda não tem autorização para uso no Brasil.

Segundo a Anvisa, esses produtos vinham sendo anunciados e vendidos principalmente por meio de redes sociais, mesmo sem registro no órgão regulador brasileiro. Sem esse registro, não há garantia de que os medicamentos sejam seguros, eficazes ou de qualidade adequada.

No caso das canetas de tirzepatida, a agência identificou que as marcas Synedica e TG não possuem autorização para venda no Brasil. Por esse motivo, a Anvisa determinou a apreensão dos produtos e proibiu qualquer atividade relacionada a eles, incluindo propaganda e distribuição.

O Diário Oficial da União publicou a medida nesta quarta-feira (21). Ela se aplica a qualquer pessoa física ou jurídica que comercialize ou promova esses medicamentos.

Imagem de uma das canetas que foram proibidas pela Anvisa

Retatrutida também está proibida

Além das canetas de tirzepatida, a decisão da Anvisa reforça a proibição da retatrutida, uma substância que pertence à mesma classe dos medicamentos do tipo GLP, mas que ainda está em fase de testes clínicos. Existe expectativa de que ela possa promover uma perda de peso maior do que medicamentos já disponíveis, mas, até o momento, não há liberação para uso ou venda no mercado.

De acordo com a agência, não existe distribuição oficial da retatrutida, nem mesmo por parte de pesquisadores envolvidos nos estudos clínicos. Por isso, qualquer produto vendido com a alegação de conter essa substância não oferece garantia de segurança, eficácia ou qualidade, representando um risco à saúde.

A Anvisa alerta que o uso de medicamentos sem registro pode trazer efeitos adversos graves. Além de reforçar que tratamentos para obesidade e diabetes devem sempre ser feitos com orientação médica e com produtos devidamente aprovados pelas autoridades sanitárias.