O Colesterol alto (dislipidemia) é um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças ateroscleróticas como o infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.
No Brasil, 4 a cada 10 pessoas adultas 4 têm um nível elevado do colesterol!
De acordo com os dados do Ministério da Saúde , no relatório “Carga global de doenças e fatores de risco cardiovasculares” mais recente, publicado em dezembro de 2023 no Journal of the American College of Cardiology, as doenças cardiovasculares causaram a morte de 400 mil brasileiros em 2022, quase o equivalente ao total de mortos no pior ano da pandemia do novo coronavírus que causou 411 mil mortes em 2021.
Aliás, o mais preocupante é que uma pessoa pode permanecer muitos anos com colesterol alto e não apresentar nenhum sintoma e apesar disso ele , mesmo sem causar nenhum mal estar, ao longo do tempo vai se depositando na parede dos vasos e formando placas que levam a obstruções vasculares.
Desta forma, o aumento progressivo das placas de colesterol e a inflamação causada na parede dos vasos podem levar a complicações graves, compõem o que chamamos de Aterosclerose ou Doença Aterosclerótica.
Lembramos que a Aterosclerose é a causa de eventos graves como Infarto Agudo do Miocárdio, Doenças Cérebro Vasculares, Acidente Vascular Cerebral e Doenças Vasculares Periféricas.
Este é o quarto post da série “10 Perguntas Sobre”, no formato de perguntas e respostas esclarecemos temas importantes para que você possa fazer escolhas mais conscientes sobre a sua saúde.
Escolhemos este tema por ser um problema extremamente comum na nossa população, contudo muito negligenciado e envolto em muita desinformação.
Embora alguns acreditem que o colesterol é uma substância ruim, na verdade ele é primordial no funcionamento do corpo humano.
O colesterol é um tipo de gordura essencial para a estrutura e funcionamento das nossas células, do cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração.
Além disso é fundamental na formação de alguns hormônios que tem o colesterol como parte da sua molécula, na síntese vitamina D e da bile que é importante na a digestão e absorção das gorduras e vitaminas lipossolúveis vindas da alimentação.
De fato cerca de 70 a 80% do colesterol existente no corpo humano é produzido pelo próprio organismo, principalmente pelo fígado. O restante do colesterol vem através da dieta, Somente alimentos de origem animal, como carnes, laticínios e ovos, contêm colesterol.
Os três tipos principais de colesterol avaliados nos exames de sangue são:
O total de colesterol no seu sangue, inclui as frações do colesterol chamadas de HDL (lipoproteína de alta densidade), LDL (lipoproteína de baixa densidade) e VLDL (lipoproteínas de densidade muito baixa).
O LDL é conhecido como “mau” colesterol, o LDL transporta o colesterol do fígado para as células do corpo através da corrente sanguínea.
Níveis elevados de LDL estão associados a um aumento do risco de doenças ateroscleróticas cardiovasculares, porque o excesso de LDL se deposita nas paredes das artéria e levar à formação de placas ateromatosas.
Conhecido como “bom” colesterol, o HDL transporta o colesterol das células de volta para o fígado, onde será reaproveitado nas funções orgânicas e o excesso poderá ser eliminado.
Níveis mais elevados de HDL estão associados a um menor risco de doenças cardiovasculares, já que o HDL ajuda a remover o colesterol das artérias.
Apesar de na maioria das vezes o colesterol alto não causar nenhum sintoma, isso o que o torna ainda mais perigoso e negligenciado, porque se deposita nas artérias por anos silenciosamente e só causará sintomas quando já existir uma importante obstrução do fluxo de sangue.
Os poucos e incomuns sintomas que excesso de colesterol pode causar são:
Com Jejum(mg/dl) Sem Jejum(mg/dl)
Colesterol Total >190 >190
HDL <40 <40
Triglicérides <150 <175
Categoria de Risco
<130 <130 Baixo
LDL <100 <100 Intermediário
<70 <70 Alto
<50 <50 Muito Alto
Observação: as metas de LDL colesterol devem ser individualizadas levando-se em conta fatores de risco cardiovascular como Doença Coronariana, Hipertensão Arterial, Obesidade, Diabetes mellitus, Infarto do Miocárdio ou AVC prévios.
Determinam os níveis de LDL e HDL no organismo, sendo um dos pontos mais importantes que podem ajudar a definir os riscos de uma pessoa ter colesterol elevado.
O exercício físico aumenta os níveis do colesterol “bom”, ou seja, o HDL
Além de reduzir os níveis do colesterol-HDL “bom”, também pode aumentar diretamente o risco de doenças cardíacas e câncer.
Quanto maior o Índice de Massa Corporal (IMC-relação Peso/AlturaxAltura ), maior a possibilidade de altos níveis de colesterol LDL e baixos níveis de colesterol HDL.
Mas atenção, pessoas magras também podem ter colesterol alto.
Insuficiência renal crônica, Síndrome Nefrótica
Insuficiência Hepática, Cirrose, Estesatose Hepática.
Síndrome de Cushing, Hipotireoidismo não tratado adequadamente
Bulimia, anorexia
Alimentos ricos em gordura saturada e gordura vegetal hidrogenada aumentam os níveis de LDL colesterol no sangue.
Hipercolesterolemia isolada: aumento isolado do LDL-c (LDL-c ≥ 160 mg/dL).
A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica, o depósito de LDL-colesterol na parede arterial é o processo chave do início da aterogênese (formação das placas ateromatosas) e ocorre de maneira proporcional à concentração destas lipoproteínas no plasma.
Ou seja, quanto maiores os valores de LDL no sangue mais ele vai se depositar nas artérias e mais placas se formarão.
Ao acometimento do organismo por placas de colesterol chamamos de Doença Aterosclerótica ou Aterosclerose.
Na Aterosclerose as placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias.
Essas placas ateroscleróticas, podem se acumular ao longo do tempo e estreitar ou bloquear completamente o interior das artérias, desta forma reduzindo o fluxo sanguíneo para os órgãos e tecidos do corpo.
A aterosclerose é considerada uma das principais causas das doenças cardiovasculares, por exemplo, doenças das coronárias, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e doença arterial periférica.
Quando uma placa se rompe, pode desencadear a formação de coágulos sanguíneos que bloqueiam parcial ou completamente uma artéria, resultando na interrupção do suprimento de sangue do órgão.
Quando isso acontece no coração temos o Infarto Agudo do Miocárdio, no cérebro é o que chamamos de Acidente Vascular Cerebral.
O excesso de colesterol ruim é que causa Infarto do Miocárdio,
AVC (Acidente Vascular Cerebral e Doença Vascular Periférica
O colesterol no sangue circula ligado a lipoproteínas chamadas de colesterol “bom” (HDL) e colesterol “ruim” (LDL), O excesso de LDL circulante causa Aterosclerose, danificando os vasos sanguíneos e diminuindo o suprimento de sangue aos órgãos.
Por isso, quando medimos o colesterol total no sangue, precisamos sempre saber o quanto se deve ao colesterol “bom”, o HDL, e o quanto se deve ao “ruim”, LDL.
O colesterol também pode desencadear a chamada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica, a Esteatose Hepática, nesta situação ocorre excessivo acúmulo de triglicerídeos no fígado, que se não tratado, pode evoluir para formas inflamatórias, fibrose, cirrose hepática e até mesmo carcinoma hepatocelular.
O tratamento dever ser preventivo e permanente – O tratamento do colesterol deve ser preventivo de eventos cardiovasculares e doença gordurosa do fígado (esteatose hepática) e deve ser mantido para a vida toda.
O objetivo do tratamento é reduzir o risco cardiovascular, não adianta tratar por um período e depois abandonar o tratamento, não existe cura definitiva para o colesterol alto.
Na verdade não se busca uma cura e sim um controle que pode ser feito por medidas de estilo de vida ou medicamentos.
São fundamentais mudanças do estilo de vida, reeducação alimentar, adotar hábitos saudáveis, manter o peso adequado para sua idade e biotipo, reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas, de açúcares simples, reduzir o consumos de carboidratos e principalmente de alimento ultraprocessados
Recomenda-se substituir parcialmente ácidos graxos saturados por mono e poli-insaturados, consumo moderado de carnes vermelhas, gordura trans, frituras, bebidas alcoólicas e cessar o tabagismo.
O hábito de fazer atividade física regular, pelo menos 150 minutos por semana, ajuda muito a melhorar os níveis do bom colesterol (HDL), e assim diminui o risco cardiovascular.
–Estatinas: Sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pitavastatina
–Ezetimiba: ezetimiba isolada constitui opção terapêutica em pacientes que apresentam intolerância às estatinas. A ezetimiba associada a doses toleradas de estatina é uma alternativa em pacientes que apresentam efeitos adversos com doses elevadas de estatina
–Resinas, ou sequestradores dos ácidos biliares, atuam reduzindo a absorção enteral de ácidos biliares,Estas drogas ajudam a diminuir o colesterol LDL ao ligar-se aos ácidos biliares no intestino, o que reduz a absorção de colesterol. Um exemplo é a colestiramina.
–Fibratos: Estes medicamentos ajudam a reduzir os triglicerídeos e, em menor grau, aumentam os níveis de HDL. Eles também podem ter um efeito moderado na redução do LDL. Exemplos incluem fenofibrato e gemfibrozil.
–Niacina (ácido nicotínico): A niacina é uma vitamina B que pode ajudar a aumentar os níveis de HDL e reduzir o LDL e os triglicerídeos. No entanto, seu uso é menos comum devido a efeitos colaterais como rubor cutâneo e problemas hepáticos.
–Inibidores de PCSK9: Esses medicamentos são anticorpos monoclonais quea judam a diminuir o LDL por aumentar a capacidade do fígado de remover o colesterol do sangue. Exemplos incluem evolocumabe e alirocumabe, , são medicamentos injetáveis, devem ser administrados a cada 15 dias ou uma vez ao mês.
–Inclisirana: funciona no organismo limitando a produção da proteína hepática PCSK9. Essa proteína atua promovendo a degradação do receptor de LDL no interior da célula, o que leva ao maior acúmulo da gordura nas artérias. No primeiro ano devem ser administradas três injeções e, a partir do segundo ano, serão apenas duas injeções, uma a cada seis meses.
É importante ressaltar que o tratamento para o colesterol alto deve ser individualizado e acompanhado por médico.
O médico irá considerar fatores como o perfil lipídico do paciente, histórico familiar de dislipidemia e doenças cardiovasculares, outros problemas de saúde como por exemplo obesidade e diabetes e possíveis interações medicamentosas ao decidir sobre o tratamento mais adequado.
Além disso, mudanças no estilo de vida, como dieta saudável, exercícios físicos e cessação do tabagismo são muito importantes em conjunto com a medicação.
O tratamento da dislipidemia reduz mortalidade e as estatinas são as medicações mais importantes no controle do colesterol.
A cada 40mg/dL de colesterol LDL reduzido, a mortalidade por infarto se reduz em 20%. Portanto, quanto mais alto o colesterol, mais importante é o tratamento.
Permanece sendo a terapia mais validada por estudos clínicos para diminuir a incidência de eventos cardiovasculares.
São medicamentos muito eficientes no controle do LDL colesterol e mostram inequívoco efeito na redução do risco cardiovascular, com baixo custo comparados aos demais medicamentos como inibidores de PCSk9 ou inclisirana que ainda ficam restritos a grupos específicos de pacientes.
Um percentual muito pequeno de pacientes apresentam efeitos adversos que em geral são leves e reversíveis.
As estatinas a venda no Brasil atualemte são: Sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, rosuvastatina, pitavastatina.
A família das estatinas evoluiu com o tempo e as mais novas como a Rosuvastatina e a Pitavastatina são as de maior potência na redução do LDL colesterol e com menores efeitos colaterais. Isoladas ou em associação com ezetimiba resolvem a imensa maioria dos casos de dislipidemias.
As estatinas são alvo frequente das fake news e de desinformação propagada nas redes sociais por algumas pessoas e profissionais da saúde desinformados ou mal intencionados.
O uso de estatinas no adulto com dislipidemia como prevenção secundária de eventos cardiovasculares (pacientes com infarto de miocárdio prévio ou em alto risco para evento cardíaco isquêmico, como aqueles com angina, procedimento cirúrgico coronariano prévio ou estenose arterial coronariana) está associado a redução de mortalidade total e de eventos cardiovasculares.
Há uma redução relativa de risco varia de 10 a 30% em mortalidade total, mortalidade cardiovascular e desfechos cardiovasculares, independente do risco absoluto do paciente.
O estabelecimento do risco basal do paciente é fundamental para definição do uso ou, não de medicamentos.
Compartilhe informação de qualidade com aqueles com quem você se importa. Informação pode salvar vidas!