10 Perguntas sobre Prolactina

A Prolactina é um hormônio conhecido por ser o responsável pela produção do leite materno após o parto.

Entretanto a Prolactina tem várias outas funções importante no corpo humano e é produzida pela Hipófise ao longo de toda a vida em mulheres e em homens.

A prevalência de Hiperprolactinemia (níveis altos de Prolactina no sangue) na população geral é de 0,1%, com taxas de incidência cinco vezes maiores nas mulheres do que nos homens, mas que ficam quase iguais a partir dos 65 anos de idade.

Nesta sequência de posts que intitulamos “10 Perguntas Sobre” esclarecemos em formato de perguntas e respostas os principais pontos para o entendimento de diversos assuntos dentro da Endocrinologia e Metabologia.

Este é o terceiro desta sequência e escolhemos este tema por ser muito comum mas pouco conhecido do público e de muitos colegas médicos.

1- O que é Prolactina?

Prolactina é um importante hormônio produzido pela glândula Hipófise, desempenha várias funções no corpo humano, é produzida ao longo de toda a vida em ambos os sexos.

Durante a gestação e amamentação ganha grande destaque por ser a responsável pelo desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção do leite pós parto e durante a amamentação.

2- Onde se localiza a Hipófise?

A Hipófise ou Pituitária é uma pequena glândula localizada base do crânio, fica apoiada em uma estrutura óssea chamada sela túrcica, logo acima do palato, na região central da base do crânio.

3- Qual a função da Prolactina nas mulheres?

A prolactina desempenha várias funções importantes no corpo, especialmente nas mulheres.

Sua principal função está associada à lactação, ou seja, à produção de leite materno após o parto e durante todo o período de amamentação.

Durante a gravidez, os níveis de prolactina aumentam significativamente  preparando as glândulas mamárias para a produção de leite. Após o parto, a prolactina estimula a produção contínua de leite, ajudando na amamentação.

Também desempenha um papel na regulação do humor, libido, metabolismo,  peso corpo corporal, funcionamento testicular, produção testosterona, fertilidade e função erétil.

4- Qual a função da Prolactina nos homens?

Embora a prolactina seja mais frequentemente associada às funções relacionadas à reprodução feminina, ela também desempenha papéis importantes no corpo masculino.

Também desempenha um papel na regulação do humor, libido, metabolismo,  peso corporal, funcionamento testicular, produção de testosterona, fertilidade e função erétil.

 

5- O que acontece se a Prolactina fica acima do normal?

Os principais sintomas da Hiperprolactinemia ( excesso de prolactina) são:

  •  secreção de leite em ambos os sexos (galactorréia)
  • hipogonadismo
  •  infertilidade
  • diminuição da libido
  •  dores de cabeça
  • irregularidade menstrual ou amenorreia (parada da menstruação)
  •  disfunção erétil

6- Por que a Prolactina sobe?

As causas mais frequentes de elevação dos níveis de prolactina são:

  • Prolactinomas:

São tumores benignos das células lactotróficas da hipófise, responsáveis pela produção da prolactina.

Os prolactinomas são os tumores funcionantes mais comuns da hipófise, aproximadamente 40% dos adenomas hipofisários.Tem prevalência entre 25 e 63 por 100 mil indivíduos.
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São classificados de acordo com o tamanho, em microadenomas (menos de 10 mm de diâmetro) ou
macroadenomas (10 mm ou mais).

As mulheres apresentam a proporção entre macro e microprolactinoma de aproximadamente 1 (um) para 8 (oito) e nos homens os macroadenomas representam 80% dos casos.

  •  Hipotireoidismo:

Hipotireoidismo não tratado adequadamente pode levar a um aumento na produção de prolactina.

  • Uso de medicamentos:

Medicamentos podem causar aumento na produção da Prolactina, os mais comuns são:

  • Antipsicóticos (fenotiazinas,butirofenonas, risperidona, sulpirida),
  • Antidepressivos tricíclicos amitriptilina, clomipramina)
  • Inibidores da monoaminoxidase (moclobemida,tranilcipromina)
  • Alguns anti-hipertensivos (verapamil, reserpina, metildopa)
  • Medicamentos de ação gastrointestinal (domperidona, metoclopramida)
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, citalopram, sertralina)
  • Contraceptivos orais, também podem causar hiperprolactinemia.
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  • Gravidez:

Durante a gravidez, os níveis de prolactina aumentam naturalmente para estimular o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite materno.

  • Amamentação:

A amamentação estimula e mantem os níveis de prolactina elevados.

  • Estímulo mamário:

Estímulo frequente e intenso dos mamilos, como em casos de fricção frequente ou sucção excessiva, pode aumentar os níveis de prolactina.

  • Doenças da hipófise ou do hipotálamo:

Adenomas (nódulos benignos) não funcionantes da hipófise, acromegalia, lesões na área hipotálamo-hipofisária, lesões ou compressões da haste hipofisária.

  • Síndrome do ovário policístico (SOP):

Algumas mulheres com SOP podem apresentar níveis elevados de prolactina em 5 a 30 % dos casos.

  • Insuficiência Hepática

  • Insuficiência Renal

Se uma pessoa for diagnosticada com hiperprolactinemia, é importante identificar a causa subjacente, pois o tratamento pode variar dependendo do motivo do aumento nos níveis de prolactina.

7- O que a Hiperprolactinemia causa nas mulheres?

Níveis elevados de prolactina em mulheres causam:

  • Galactorréia (secreção de leite mas mamas uni ou bilateral fora do período de amamentação)
  • Diminuição da libido
  • Interfere nos ciclos menstruais, causando irregularidade ou amenorréia.
  • Diminui a ovulação portanto causando diminuição da fertilidade, sendo causa frequente de dificuldade para engravidar
  • Ganho de Peso
  • Osteoporose
  • Macroprolactinomas podem expandir e comprimir o quiasma óptico, podendo causar sintomas neurológicos e alterações dos campos visuais.

8- O que a Hiperprolactinemia causa nos homens?

Níveis elevados de prolactina em homens podem causar sintomas como:

  • Galactorréia (secreção de leite nas mamas)
  • Diminuição da libido
  • Disfunção erétil
  • Infertilidade
  • Macroprolactinomas pode expandir e comprimir o quiasma óptico o que pode causar sintomas neurológicas e alterações dos campos visuais.

9- Como é feito o diagnóstico Hiperprolactinemia?

  • Dosar Prolactina

Quando há sintomas sugestivos de Hiperprolactinemia deve ser realizada a dosagem da prolactina no sangue, em qualquer período do dia.

Recomenda-se sempre uma segunda dosagem para confirmação, especialmente se houver estresse excessivo durante a coleta do sangue.

Geralmente, os níveis da prolactina têm relação com sua etiologia:

  • Valores de Prolactina menores que 100 ng/mL são frequentemente associados a medicamentos, causa idiopática, desconexão de haste hipofisária ou microprolactinomas.

  • Níveis de prolactina superiores a 250 ng/mL geralmente indicam a presença de prolactinomas, geralmente macroprolactinomas ( maiores que 1 cm).

Entretanto, medicamentos como a risperidona e metoclopramida podem causar eventualmente níveis de prolactina superiores a 200 ng/mL13.

  • Investigar a causa:

A causa da Hiperprolactinemia deve sempre ser investigada também o que deve incluir exame de imagem da Hipófise, preferencialmente ressonância magnética, a tomografia computadorizada é menos efetiva especialmente no tumores pequenos.

É também importante afastar causas farmacológicas, fisiológicas, hipotireoidismo primário e insuficiências renal e hepática.

10-Qual o tratamento da Hiperprolactinemia?

Objetivo:

O objetivo principal do tratamento de pacientes com microprolactinoma ou hiperprolactinemia
idiopática é o controle hormonal e melhora dos sintomas decorrentes da hiperprolactinemia.

Porém nos paciente com macroprolactinomas, além do controle hormonal e sintomático, a redução e o controle do tamanho tumoral também são objetivos importantes do tratamento.

Medicamento:

O tratamento medicamentoso é a primeira escolha , os agonistas dopaminérgicos (cabergolina e bromocriptina) fármacos normalizam os níveis de prolactina, restauram a funçãodos ovários e testículos e reduzem, significativamente, o volume tumoral dos prolactinomas na maioria dos pacientes.

Cirurgia:

Vale ressaltar que até 10% dos pacientes com macroprolactinoma podem necessitar de cirurgia, caso não ocorra resposta aos agonistas dopaminérgicos ou, ainda, se houver comprometimento visual que não melhorar com o tratamento medicamentoso.

Nestes casos específicos, a retirada parcial da massa tumoral pode também proporcionar melhor resposta ao tratamento com agonista dopaminérgico.

A cirurgia para prolactinomas é geralmente realizada por meio de uma abordagem endoscópica endonasal (trasnesfenoidal), na qual os cirurgiões acessam a hipófise através das narinas e seios paranasais, sem a necessidade de incisões na pele.

No entanto, como em qualquer procedimento cirúrgico, há riscos envolvidos, e a decisão de realizar a cirurgia deve ser cuidadosamente ponderada em conjunto com o médico, levando em consideração todos os aspectos individuais do paciente.

 

A Hiperprlactinemia pode ter impactos importantes na saúde e na qualidade de vida de mulheres e homens. 

É uma doença de diagnóstico simples e na imensa maioria dos casos com tratamento eficaz e não invasivo.

Mas precisa ser lembrada na investigação de queixas que por vezes são pouco valorizadas pelos e pacientes e pelos médicos que as avalia.

No caso de qualquer sintoma sugestivo procure um endocrinologista e faça a sua avaliação.

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contatos Dra Ana Lúcia Gomes