Bomba de infusão de insulina, quando usar?

Quem é diabético e depende de insulina sabe como o tratamento correto é fundamental para o bem-estar e a vida com qualidade. O uso incorreto da insulina pode causar um descontrole glicêmico e trazer as tão temidas complicações do diabetes.

A insulina não pode ser tomada por boca porque o sistema digestivo destrói o medicamento antes de chegar na corrente sanguínea, por isso deve ser injetável, no uso diário dever ser sempre subcutânea (na gordura embaixo da pele).

Imagine quem precisa tomar várias doses de insulina por dia para controlar a glicemia. Para alguns isso causa um grande problema, a cada momento, uma nova picada e todo o transtorno que isso pode acarretar.

Felizmente existe uma alternativa para evitar as inúmeras picadas da insulina, é possível fazer o tratamento com uma infusão contínua por meio de uma bomba de insulina. Em vez de várias doses individuais no dia, a bomba administra continuamente a insulina.

O QUE É BOMBA DE INSULINA?

As Bombas de Infusão de Insulina ou Sistema de Infusão Contínua de Insulina (SICI) são pequenos aparelhos com comando eletrônico para administração de insulina. No Brasil temos dois fabricantes que produzem as bombas. Elas são semelhante entre si, mais ou menos do tamanho de um celular e pesam em torno de 100 g.

Possuem um cateter (um tubo bem fino) que é colocado sob a pele, geralmente no abdome. Isso permite que a insulina seja injetada continuamente, sem que o paciente precise se picar com as injeções normais.

O cateter deve ser trocado a cada três dias e o conjunto completo de infusão, cateter e cânula, a cada seis dias, para evitar reações alérgicas obstruções ou infecções no local de inserção, o que poderia interromper o fluxo da insulina.

COMO FUNCIONA A BOMBA DE INSULINA?

A bomba funciona somente com as insulinas de ação ultrarrápida (lispro e asparte). As insulinas ultrarrápidas funcionam mais rapidamente, mas o tempo de duração do efeito é mais curto. Por isso a pessoa diabética deve ficar conectada à bomba ao longo das 24 horas, podendo desconectar apenas por curtos períodos.

É possível interromper a bomba, por exemplo, para trocar o cateter ou o conjunto completo, para o banho ou para entrar na piscina ou no mar. Como os análogos de insulina de ação ultrarrápida tem duração curta, depois de 60 a 90 minutos da interrupção da infusão não há mais efeito nenhum deles no organismo. A falta da insulina pode levar a elevação abrupta da glicemia, o que pode ser perigoso.

Infusão basal e infusão de bolus

As bombas de Insulina são muito precisas, liberam a quantidade de insulina exata programada, com doses bem pequenas se necessário. Existe um ganho em ser capaz de controlar e ajustar o tratamento com precisão. O diabetes fica muito mais controlada, mas como qualquer sistema delicado, o cuidado é indispensável.

Usamos duas formas de infusão: a que chamamos de basal, que pode ser ajustada ao longo de cada hora, ou de períodos do dia, e em pulsos ou bolus que servem para as refeição e para correção dos picos indesejáveis de glicemia.

A infusão basal deve ser pré-programada pelo médico e ajustada à rotina do paciente, horários de sono, trabalho e atividade física. Geralmente usamos três a oito basais diferentes ao longo do dia adaptadas individualmente para melhor qualidade de vida e controle glicêmico. A infusão basal deve ser reavaliada periodicamente e ajustada de acordo com a necessidade e sempre que houver mudança na rotina.

É preciso programar mais do que uma infusão basal porque as necessidades de insulina variam de acordo com a atividade ou período do dia. Por exemplo, a necessidade de insulina no sono é diferente daquela do período de trabalho ou do horário da academia. Com o ajuste correto, o paciente realiza suas atividades sem se preocupar tanto.

O importante é que o paciente pode se ocupar com sua vida e deixar que a programação administre a quantidade de insulina que ele precisa ao longo do dia.

O bolus é uma dose extra, liberada pelo paciente, e é usado para a correção dos índices glicêmicos quando estiverem fora da meta estabelecida pelo médico. Além disso, o bolus também é útil nas refeições, conforme a contagem de carboidratos a ser ingerida.

Para se ter uma ideia, usa-se uma unidade de insulina para cada 10 g a 20 g de carboidratos ingeridos; mas esses índices podem variar muito entre diferentes pessoas. Muitas vezes a mesma pessoa tem necessidades distintas em cada refeição, por exemplo doses maiores no café da manhã e menores no almoço e jantar, ou ainda de acordo com a idade, presença de obesidade , ou doenças associadas como por exemplo insuficiência renal.

Como se pode observar, existe muita técnica e conhecimento necessário para se usar a bomba de insulina. É fundamental que o endocrinologista tenha conhecimento e experiência no assunto, para que o paciente colha todos os benefícios desse tipo de tratamento.

QUANDO INDICAMOS A BOMBA DE INSULINA?

As indicações para o uso da bomba de infusão de insulina são:

  • – Dificuldade para normalizar a glicemia, mesmo com múltiplas doses de insulina ao dia
  • – Pacientes com hipoglicemias noturnas frequentes e intensas.
  • – Indivíduos propensos à cetose.
  • – Hipoglicemias assintomáticas.
  • – Gravidez e/ou mulheres com diabetes que planejam engravidar, sobretudo aquelas que não alcançaram controle metabólico adequado.
  • – Grandes variações da rotina diária.
  • – Pacientes com dificuldade para manter esquemas de múltiplas aplicações ao dia.
  • -Desejo de um estilo de vida mais flexível.
  • – Atletas profissionais ou que competem
  • -Complicações microvasculares e/ ou fatores de risco para complicações macro vasculares.

QUAL A MELHOR OPÇÃO?

À medida que os tratamentos para o diabetes são aprimorados, a vida dos pacientes se torna cada vez mais parecida com a de alguém sem o problema. Já não é possível saber quem tem ou não diabetes só pela convivência. Os diabéticos estudam, trabalham, namoram, praticam esportes e se divertem normalmente. Portanto, além de controlar a doença, devemos pensar também em qualidade de vida.

Ter várias opções de tratamento e decidir entre elas é um dilema bom de ter. Quando não havia escolhas, o mesmo tratamento era dado para todos e os resultados eram pobres. Afinal, as pessoas não são iguais e o que serve para um, nem sempre é bom para o outro. Hoje oferecemos tratamentos personalizados, de acordo com as peculiaridades de cada indivíduo.

As necessidades, medos e dificuldades de cada paciente devem sempre ser levados em conta. O médico especialista deve expor de forma clara todas as possibilidades adequadas a cada um e a escolha deve ser em conjunto com o paciente que afinal é quem irá usá-la diariamente, portanto deve ser a opção que for mais fácil de seguir corretamente e que traga mais conforto e qualidade de vida.

Quando recebemos um paciente diabético, começamos um relacionamento terapêutico que se estenderá por anos ou décadas. Essa parceria é estabelecida com base em confiança mútua.

Estou sempre disponível para meus pacientes e aberta a rediscutir os tratamentos em função dos resultados alcançados e das mudanças da vida. Fazer planos é saudável e permite que nos antecipemos para evitar problemas.

Se você sente que seu tratamento pode ser melhorado ou gostaria de uma nova perspectiva sobre suas terapias atuais, entre em contato agora e marque sua consulta. Vamos trabalhar para seu bem-estar e saúde.

Foto de Dra Ana Lúcia Gomes

Dra Ana Lúcia Gomes

Médica Endocrinologista e Metabologista
Atende pacientes diabéticos há mais de 30 anos
CRM-SP: 75.484 e RQE: 36058